Nesta última querela Benfica-FC Porto acho que os encarnados têm mais razões de queixa do que os portistas, desde os erros de Benquerença à história dos bilhetes, passando pela guerra das palavras, com Pinto da Costa a lançar logo a bomba atómica – aquela história, verdadeira ou falsa, de Luís Filipe Vieira aos pulos, quando o FCP marcava golos ao Benfica, é mortal.
O presidente benfiquista e José Veiga, que não têm o dom da palavra – e muito menos a capacidade oratória de PC – voltaram a cair na esparrela de tentar responder ao líder azul-e-branco e espalharam-se ao comprido – aquela história, verdadeira ou falsa, do champanhe (será o que se bebe nas casas de alterne?), e a promessa de convocar “todos vós” para contar histórias quando o opositor já o fez – e sem convocatória – é um tiro no pé.
Depois, o verdadeiro resultado, dentro do campo, foi o do costume: ganhou o FC Porto. Bastava ver a descontracção (e a coragem, ólalá...) com que PC se passeava, provocatoriamente, pelo meio do núcleo mais duro da águia, no seu próprio ninho, para se perceber a filosofia da coisa. O sr. ministro dos Assuntos Particulares devia fazer um estágio com este mestre.
1- Vítor Baía
A história do futebol está cheia de grandes guarda-redes que foram também grandes frangueiros. Vou só referir dois, que tive a sorte de ver em acção. Um chamava-se Costa Pereira e jogava no Benfica e na Selecção. Era alto, bonitão, podia ter sido galã no cinema. Fazia enormes defesas e sabe-se como aterrou em Lisboa, de cadeira de rodas, depois da final perdida com o Inter, por causa de um frango seu. O outro era o José Pereira, do Belenenses, Magriço de 1966, o guarda-redes que fez as maiores defesas que até hoje vi. Chamavam-lhe Pássaro Azul, mas dava muitas de Frango Azul. Baía não lhes fica atrás em categoria e nunca deu as frangalhadas que eles davam. Na Luz, falhou mais em quê?
2 - McCarthy
Pois é, esteve quase a ser recambiado para um lado qualquer – para muito longe de Vigo é certo que ele não queria ir... – e se não fosse Pinto da Costa a mandar por onde é que ele já andaria... Depois foi suplente, o que se percebe num plantel em que a fartura é muita, mas a seguir ao golo da Luz o que se pergunta é, Maniche à parte, que outro atirador portista seria capaz de disparar aquela bomba que decidiu o clássico de domingo... Numa equipa de virtuosos – Diego e Carlos Alberto (outro que o Totó também pensou despachar...) são o supra-sumo da técnica –, o “killer instinct” do sul-africano é indispensável. Se não fosse a sua inspiração, o FCP não ganhava. “Se”, esse é que é o problema.
3 - Karadas
Indiscutível, depois, claro, de se ver a repetição na TV: era penalty. O norueguês ia direitinho para o golo – pelo menos era suposto – quando Seitaridis lhe “enrolou” o braço, dificultando o remate final. Mas os senhores desculpem, ou a gente ainda não viu nada ou este moço que até se chama Azar não trouxe sorte nenhuma ao Benfica. Começou melhor do que Pinilla, até porque molhou logo a sopa, mas de há tempos para cá que não se viu mais nada. Olhem, estão-me aqui a dizer que o Sokota acaba de marcar quatro golos no treino. Ah, não quer renovar? Pois... Então só espero que Trap, que não vai ter Nuno Gomes, não continue à espera que o Karadas dê muito mais do que... Azar.
4 - Olegário Benquerença
Tomei um dia conhecimento de um nome, verdadeiro, que só temos de agradecer à Divina Providência não nos ter tocado a nós: Manuel Esticadinho Tracalhadanças. Enfim, não é brilhante, mas este respeitável cidadão tinha sempre a hipótese de ser o sr. Manel, quanto muito o Manuel Esticadinho, enfim, lá escapava. Agora o nosso estimado Olegário não tem outro nomezinho mais normal, tinha mesmo de ser Benquerença? E tendo que ser Benquerença, não poderia não ser... Olegário? Isto com todo o respeito pelos Benquerenças e pelos Olegários de todo o Mundo, evidentemente. Aliás, nada disto representa menor consideração por si, caro Olegário, até porque se acho que esteve mal ao não assinalar a grande penalidade pela falta sobre Karadas (um erro infelizmente habitual nos campos de futebol), também não vejo como seria possível que qualquer árbitro – mesmo que desse pelo banal nome de José Silva – conseguisse topar aquela bola dentro (ou só semidentro é o que um homem quiser) da baliza do Vítor Baía. Mas do que você já não se safa é da memória de elefante dos adeptos do Benfica – está marcado para a vida. Por alguma coisa o primeiro árbitro de outros tempos que sempre me vem à cabeça dava pelo nome de... Inocêncio Calabote. E, esse sim, era fresco!
5 - Nuno Gomes
O avançado benfiquista é um dos meus futebolistas preferidos. Joga “à Sá Pinto”, corre o tempo todo, desmarca-se como nenhum outro, empolga os colegas e arrebata as bancadas, enfim, é um excelente exemplo de profissional de futebol. Teve aquele percalço disciplinar no Europeu de 2000, deixou-se ir e acabou suspenso. Acontece. E é por tudo isto que não percebo aquele pé em riste de domingo, na direcção de Pepe, ainda por cima com o jogo parado. O que lhe passou pela cabeça? E também não lhe ficou bem, logo depois de uma partida em que jogou pouco e saiu cedo, ir para a sala de imprensa ajudar à festa e participar na “coroação” de Pinto da Costa... O que se passa, Nuno?
Perguntas leva-as o vento
1. Qual é o jornal que mudou o seu plano editorial às 5 da tarde, quando o serviço de espionagem, a cargo de um ranhoso qualquer, informou, de território inimigo, a manchete do principal concorrente para o dia seguinte?
2. Qual o ex-director de jornal, despedido por incompetência, que anda agora no seu novo emprego a exibir o mapa de vendas do título do qual foi corrido mas que apresenta resultados superiores aos que regista o do novo patrão, que lhe mente e conta gloriosos mas inexistentes feitos?
3. Qual é o jornal, campeão mundial de sobras (mais de 40 por cento!) que propagandeia tiragens fantásticas mas que tem dias em que já nem 100 mil exemplares tira?
4. Qual é o ex-director de jornal que gastou mais do que devia, fez promoções e aumentos de salários sem qualquer critério, perdeu 14 mil exemplares de vendas entre Janeiro de um ano e o mesmo mês do ano seguinte, e se pirou de férias quando tinha de fazer o próximo orçamento da redacção?
O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...