Os desafios do Benfica

Os desafios do Benfica

Para um clube com a grandeza do Benfica, a fasquia tem sempre de ser alta. Depois uma época traumatizante, o clube fez um enorme esforço financeiro para manter o plantel e voltar às vitórias. Esta temporada, o futebol encarnado tem estado abaixo do de outros anos, mas o certo é que a equipa ainda está em quatro frentes com todas as possibilidades de ganhar. Luís Filipe Vieira apontou o foco para a conquista do campeonato nacional. A margem para erro está reduzida.

Num ano em que a final da Liga dos Campeões se realiza no Estádio da Luz, a SAD do Benfica apostou, compreensivelmente, em manter as principais estrelas e investir no reforço do plantel. Contudo, os 10 pontos conquistados no grupo da Champions não foram suficientes e o clube acabou relegado para a Liga Europa, vendo assim desfeito o sonho de jogar uma final europeia em sua casa.

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Foi um duro golpe para as ambições desportivas e financeiras do clube, tal como admitiu o seu presidente esta semana. E sem as receitas previstas, é muito provável que se veja forçado a vender jogadores (Matic, Garay ou Gaitán?) para compensar essas perdas e equilibrar as contas. O passivo da SAD, superior a 457 milhões de euros, não permite que o clube possa esticar muito mais a corda em termos económicos.

Daí que o foco acabe por ser, e bem, a conquista da Liga portuguesa. Mesmo com a saída de um ou dois jogadores importantes, o Benfica continuará a ter, provavelmente, o plantel com mais soluções a atuar em Portugal. Mas ter melhor plantel não significa ter melhor equipa, e aí estará o desafio de Jesus: fazer com que o futebol encarnado volte a ganhar qualidade, dinâmica, alegria e coesão, deixando de viver de rasgos individuais e de uma atípica falta de garra.

Oadormecimento da águia está, em parte, ligado ao trauma que constituiu o final de época anterior. Os responsáveis benfiquistas admitem que a equipa não conseguiu desligar-se desse momento e que o mesmo deve servir de lição, para não se voltar a repetir. Resta saber se, chegados a 2014, os encarnados já conseguiram ultrapassar aquele trauma, que ganhou maior peso com o caso Cardozo, que parece, entretanto, já ter sido sanado.

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Além disso, Jorge Jesus terá a missão de calar os críticos que dizem que o seu prazo de validade no Benfica está terminado. E só o conseguirá fazer com a conquista de títulos. Dada a qualidade e investimento feito no plantel, a ausência de troféus importantes nos últimos quatro anos causaria um desgaste enorme entre equipa técnica e adeptos.

No futebol a memória costuma ser curta. Há que reconhecer que Jorge Jesus deu outra dimensão, nacional e europeia, ao Benfica. Como não se via em muitos anos. O clube cresceu com Jesus e o treinador cresceu com o clube. É por isso natural que a SAD benfiquista tenha apostado na estabilidade, dado o caminho ascendente que percorreu. Um ato de gestão compreensível. Nada garantia que a vinda de um novo treinador pudesse representar um salto qualitativo, podendo até acontecer o contrário.

Por último, a introdução de jogadores da formação na equipa principal. Um caminho inevitável para os clubes portugueses, onde as águias não serão exceção. André Almeida, André Gomes e Ivan Cavaleiro são os pioneiros de uma estratégia a curto e médio prazo que me parece correta. Com contratações cirúrgicas e uma boa formação (e o Benfica tem tido boas gerações nas camadas jovens nos últimos anos), esta é a fórmula para se reduzirem custos e gerarem ativos de grande valor.

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O CRAQUE
Substituto à altura

Se havia dúvidas, ficaram desfeitas. Helton tem um substituto à altura no FC Porto. O seu compatriota Fabiano fez uma exibição de encher o olho em Alvalade e provou que está pronto para a sucessão. O guardião tem evoluído desde os tempos em que atuava no Olhanense. Com uma enorme compleição física, parece que ocupa toda a baliza, o que lhe dá um total domínio entre os postes. Apresenta agora melhor leitura na reposição da bola no jogo, nas saídas e jogo de pés. Em função da idade (25 anos), ainda pode fazer melhor.

A JOGADA
O regresso de Quaresma

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As trivelas de Ricardo Quaresma estão de regresso ao Dragão. Há muito que a equipa pedia um desequilibrador nas faixas, já que Kelvin e Iturbe não explodiram como se previa. Resta saber se o internacional português ainda estará em condições de fazer a diferença e de conseguir ajudar a melhorar a produção ofensiva da equipa. Fica a sensação que o FC Porto ainda necessitaria de outro extremo, capaz de resolver jogos, para fazer companhia a Jackson e ao Mustang. No entanto, essa solução até pode já estar no plantel.

A DÚVIDA
Em Espanha, o futebol de rua paga multa

Longe vão os tempos em que os olheiros procuravam craques nas ruas, assistindo a jogos de miúdos. Foi assim que se descobriram grandes craques, mas... agora as regras são outras. Em Espanha, está a causar polémica uma versão preliminar de uma lei que prevê multas até 1.000€ para quem jogue futebol na rua. A alastrar-se, a proibição irá dificultar o desenvolvimento de jovens com poucos recursos monetários. Será possível, pelo menos, que se criem espaços onde as crianças possam jogar à bola?

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