Com o aproximar do final da temporada, a maioria dos clubes jogam o tudo por tudo no sentido de cumprirem os objectivos estabelecidos. Uns sonham com o título; outros contentam-se com um lugar nas competições da próxima época, enquanto os mais aflitos desejam apenas e só escapar à descida de divisão.
Todos os anos, por esta altura, o cenário é o mesmo. E como a pressão aumenta, as declarações mais inflamadas dos dirigentes ou as queixas sobre o que quer que seja também crescem. A tolerância ao erro, ao invés, diminui. Os adeptos, por exemplo, começam a cobrar os falhanços dos avançados menos certeiros ou os deslizes comprometedores dos guarda-redes e defesas.
Os técnicos, sempre dependentes dos resultados, ficam igualmente mais expostos à sorte ou ao azar. A diferença entre manter o lugar ou ser vítima das tradicionais "chicotadas" resume-se a uma bola que bate na trave ou a um golo conseguido nos descontos. Enfim, é uma autêntica lotaria...
No meio de tudo isto, os árbitros são claramente os elos mais fracos. Só são notícia quando erram. E é verdade que muitas vezes falham, desvirtuando a realidade, mas convém não esquecer que, num negócio de milhões, estes são os únicos intervenientes amadores. Ou pelo menos... não profissionais.
A melhor forma de ter árbitros de grande qualidade é optar, quanto antes, pela profissionalização. Tendo como única actividade a arbitragem, os juízes passam a ter tempo e condições para se prepararem convenientemente para os jogos. E quando errarem, como qualquer profissional de outra área, terão de sofrer as devidas consequências (dias sem arbitrar; impossibilidade de estar nos melhores jogos, etc, etc).
Na NBA, por exemplo, não se hesita em excluir da Liga quem não apresentar um rendimento condizente. Porém, quem cumpre a missão com nota alta pode lá andar muitos e bons anos. O Bilhete de Identidade jamais os impede de continuar em acção. Basta revelarem aptidões físicas e técnicas.
Se estiverem verdadeiramente interessados em deixar de ser os "bombos da festa", os árbitros só têm de forçar a profissionalização. A menos que descubram outra solução. Eu não a encontro.