Nada me move contra José Couceiro, pessoa que até considero das mais cultas e simpáticas que tenho visto nos últimos tempos no futebol português, mas há alguma coisa que não funciona nesta sua experiência como seleccionador nacional dos escalões jovens.
No Europeu Sub-21, na Holanda, não gostei do discurso antes do primeiro jogo; de várias opções ao nível dos "onzes" escolhidos; de algumas substituições efectuadas ou da tentativa de encontrar desculpas para o indesculpável. Mas, sinceramente, também vi que Portugal teve algum azar; que fomos algo prejudicados pelos árbitros em momentos decisivos e que faltou a "estrelinha" determinante para se atingir os grandes feitos. Por outras palavras, Couceiro ficou ligado a um mau desempenho nacional, mas pareceu-me injusto considerá-lo o único culpado do sucedido.
Mas, agora veio o Mundial de Sub-20 e que temos? Uma equipa que não perdia há vários meses, de repente está de máquina de calcular nas mãos por causa de um grupo onde para além de um México indiscutivelmente talentoso, também constam Nova Zelândia e Gâmbia! E a conversa desnecessária; as opções discutíveis e as alterações confusas voltam a aparecer.
Pode parecer mentira, mas a verdade é que Portugal só seguiu rumo aos oitavos-de-final da competição porque conseguiu ser um dos quatro melhores terceiros classificados. Por outras palavras, avançámos no torneio porque, de momento, temos um registo melhor que Coreia do Norte e Costa Rica, outras duas potências do futebol internacional que, imagine-se, também fecharam as suas "poules" de qualificação no terceiro posto, o mesmo de uma equipa que, há dias, sonhava com o título mundial.
Como português que torce sempre pelas suas representações, fico satisfeito pelo apuramento (embora o possível embate com a Espanha me esteja já a deixar nervoso...), mas sou levado a dizer que quem joga tão pouco e perde partidas com opositores como a Gâmbia só merece ser eliminado! Ainda por cima estivemos a ganhar e alinhámos meia-hora com um homem a mais, período que aproveitámos para sofrer o segundo golo! Se do outro lado ainda estivessem jogadores com grande experiência...
Couceiro pode ter muitos méritos. Pode, inclusive, ter milhares de argumentos para justificar os maus desempenhos das suas equipas nacionais, mas a verdade é que, em poucos dias, só conseguiu derrotar Israel (Sub-21) e Nova Zelândia (Sub-20). Que pena o resto dos adversários não serem Vaticano, San Marino, Timor ou Papua Nova Guiné! É que, excepção a estes, todos os outros devem ser catalogados de complicados.
Mas, no meio de tudo isto, gostava de saber quem é que se lembrou de, após um trajecto recheado de sucesso, mudar o treinador desta equipa antes do Mundial. Rui Caçador ou Carlos Dinis não podiam estar ao leme do conjunto? Não sei se com eles seria diferente, mas tenho a certeza que ambos conhecem melhor os atletas que Couceiro. Mas isso, repito, é só uma parte desta (até agora) cinzenta viagem pelo Canadá.