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Os guardiões da muralha

Os guardiões da muralha

A posição de médio-defensivo, que habitualmente apelidamos de trinco, é talvez a mais ingrata do futebol moderno. É um lugar nuclear de uma equipa em ambos os momentos do jogo, defensivo e ofensivo, mas o seu intérprete nem sempre é reconhecido com o mesmo brilho e mérito de um avançado goleador, de um médio criativo ou de um defesa intransponível. É uma espécie de jogador sombra, indispensável para o treinador mas nem sempre reconhecido por adeptos e crítica. Uma posição na qual os clubes portugueses têm bons executantes.

Matic, Fernando, Javi Garcia ou Miguel Veloso são jogadores que se destacaram em anos anteriores na liga portuguesa no desempenho da posição 6. Em comum tinham a capacidade de recuperação de bola, o excelente posicionamento e uma leitura de jogo que lhes permitia dobrar os companheiros na defesa e distribuir bem a bola nos momentos de construção.

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Samaris foi a aposta do Benfica para fazer esquecer Matic. Apesar das dificuldades de adaptação às ideias de Jorge Jesus, sobretudo porque o grego parecia um jogador talhado para jogar mais à frente, o médio encaixou na equipa encarnada e é hoje uma peça chave no bom desempenho defensivo das águias. Bom poder de marcação, capacidade técnica e envolvimento no jogo ofensivo fazem dele um jogador precioso, que ainda pode melhorar no capítulo disciplinar e nos níveis de concentração.

No FC Porto, Casemiro foi o jogador que mais evoluiu ao longo da temporada. Mesmo com o crédito de vir do Real Madrid, substituir Fernando não era fácil. De início, vimos um jogador muito faltoso, mal posicionado e com deficiências no passe. Mas o internacional brasileiro conseguiu corrigir os pontos fracos e hoje destaca-se na pressão, no desarme e na saída da bola, ajudando à construção do futebol portista, pela dimensão física que traz ao meio campo e acerto nas interceções. E reduziu o número de faltas, terminando jogos até a sofrer mais.

Se excluirmos Nani, que pertence ao Manchester United, a principal pérola do plantel leonino é William Carvalho. A revelação do campeonato anterior é um elemento crucial no jogo do Sporting, fio condutor da estabilidade defensiva, que mantém o terreno seguro e abre espaços aos colegas. Este terá sido um ano de transição e amadurecimento, sobretudo ao nível competitivo, já que William Carvalho nunca tinha tido uma época tão exigente em termos de jogos. Ainda tem margem para melhorar, sobretudo se conseguir auxiliar mais vezes o jogo ofensivo da equipa. Talvez seja ele a grande venda dos leões no próximo defeso.

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Mas não é só nos grandes que encontramos bons especialistas na arte de defender, pressionar e sair a jogar. Em Braga está uma das grandes revelações da liga, o brasileiro Danilo Silva, que fruto do seu bom desempenho, integrou mesmo a equipa olímpica do seu país. Discreto, mas tremendamente eficaz, é exímio na marcação, rápido a pressionar e tem qualidade técnica para entregar a bola na perfeição. Dizem que vai para a Juventus, mas este jovem de 19 anos, com muito potencial, seria uma bela contratação para qualquer um dos três grandes.

Danilo Pereira, do Marítimo, tem estado em bom plano e caminha cada vez mais para ser opção regular na Seleção. O pacense Michael Seri, um bom valor, dará muito provavelmente o salto. O belenense Pelé estará a caminho do Benfica. E nomes como Ruben Neves (FC Porto), Aly Ghazal (Nacional) e Anderson Esiti (Estoril) também prometem dar que falar. Os clubes portugueses são um viveiro de guardiões da muralha.

O craque – O maestro de Vila do Conde

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Depois de cumprir a sua formação no Benfica, Diego Lopes seguiu para o Rio Ave e em três anos tornou-se o principal elemento criativo da equipa. Com 47 jogos disputados e 9 golos marcados, esta foi a sua época de afirmação plena em Vila do Conde. O brasileiro é um médio ofensivo que pauta o jogo com boa visão e qualidade de passe, que também gosta de arriscar o remate. Foi ele o grande responsável pela reviravolta no resultado que valeu a vitória no jogo com o Benfica, por onde se diz curiosamente que passará o seu futuro.

A jogada – O momento do Sporting

Prevê-se um final de época movimentado em Alvalade. Sem o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões garantido e com o final de alguns contratos de patrocínio, o clube leonino terá de fazer contas à vida para repor essas verbas. A venda de alguns atletas, até por vontade dos mesmos, parece inevitável. Encontrar novos patrocinadores também. E preparar uma equipa que consiga passar o playoff da Champions é obrigatório. E há ainda a questão do treinador. Marco Silva fez um trabalho competente. Mas será o suficiente para continuar?

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A dúvida – A festa que o nosso futebol precisa

Tal como acontece no futebol, a indústria do cinema também tem sido vítima da fuga de espetadores no nosso país. Com o intuito de reconquistar público, os agentes do setor uniram-se para promover um ciclo de três dias com uma redução do preço dos bilhetes e o resultado foi excelente. A adesão registada de espetadores daria para encher Luz, Alvalade e Dragão juntos. O futebol português precisa de iniciativas periódicas deste género para chamar mais gente aos estádios e começar a reconquistar público. Para quando uma festa do futebol português?

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