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É cansaço. É azar. É galo. É a vida. É fado. É Fátima. É futebol. É o raio que parta. Ai Jesus, quando caíste de joelhos no Dragão, caíste de vez.
Os jogos foram muito diferentes. O Porto ganhará o campeonato porque, jogando sempre feio, quase nunca jogou mal. Esteve na peugada, ganhando pontos à espera do deslize, que o Benfica infantilmente teve contra o Estoril. O Chelsea foi diferente: para finalista da Liga Europa, não jogou puto. Ficou à espera que corresse bem. Correu. Ontem o Benfica mereceu ganhar. Acabou-se.
Agora nós, Jesus. Da época de sonho já só sobra prémio de consolação. É pouco. Pouco para o que a equipa vale, para o que jogou, para as expectativas, para o triunfalismo das últimas semanas. Talvez a gestão do plantel tenha sido (outra vez) mal feita, talvez o cansaço tenha acusado, talvez as substituições tenham sido erradas, talvez seja a treta da eficácia em vez do espetáculo, talvez a prosápia tenha sido excessiva. Mas se Kelvin chuta mal ou Garay não se lesiona, Jesus poderia ser hoje um herói.
É especialmente inglório que Jesus sucumba aos pés de dois treinadores sem carisma. Mais que jeito, a Vítor Pereira falta-lhe uma certa graça no modo, parece sempre querer vencer por vingança e não por grandeza. Não há patinho feio que cresça como cisne sem aceitação. Rafa Benítez é parecido, carroceiro que parece não puxar carroça mas lá porfia, com o que na minha terra se chama ranço, paio, caga, vaca, “teta genitosa”. Jesus é o contrário: é demasiado cheio de si mesmo, fala como o predestinado que não é, mas ataca, joga para ganhar, enche estádios. Merecia outro desfecho. É também isso que a imagem incrível do ajoelhamento no Dragão revela: o desabamento confessional de um derrotado que tudo quis e perdeu. Há fome que não dá em fartura.