Sempre me fez confusão ver árbitros a mostrar cartões amarelos aos jogadores que, após a obtenção de um golo, resolvem tirar a camisola, galgar redes ou exibir outras formas menos convencionais para demonstrar a alegria que sentem.
O golo é o sal e a pimenta do futebol, o objectivo principal do jogo e se o público pode saltar, gritar e festejar à sua maneira, defendo que os artistas, aqueles que são responsáveis pelos tais momentos que agitam multidões, também devem poder fazer o que lhes apetece, desde que, claro, não ofendam ninguém.
Nani, para além de ter um talento sensacional para a prática do futebol, rapidamente ficou famoso pela forma pouco vista (entre os futebolistas portugueses só me recordo de Fernando Couto e Folha fazerem algo do género) como "carimba" os seus golos: assinando mortais dignos de causar inveja a alguns ginastas. Sempre gostei de apreciar o gesto. Primeiro porque denota uma satisfação tremenda, depois pela espectacularidade (aliada à difculdade) do salto.
No entanto, parece que vou ficar sem este prazer. E não se pense que tal sucederá porque Nani vai deixar de ser protagonista. Aliás, a avaliar pelo que fez nos dois embates em que alinhou na digressão do United pela Ásia, o rapaz pode mesmo surpreender muita gente (a começar por Alex Ferguson) e ser já figura de destaque no campeão inglês logo na primeira temporada na "Premier League". O que está em causa é que o treinador, preocupado com a integridade física do ex-leão, terá solicitado ao internacional luso para encontrar outra forma de festejo.
À primeira vista, o pedido/ordem de Ferguson é castrador, pouco democrático. Porém, se tivermos em conta que o United pagou, recentemente, um enorme carregamento de euros por esta "pérola", talvez se percebam melhor as cautelas do técnico. Não se pode colocar em risco um investimento tão grande só por causa dos festejos de um golo. Por mais que nos custe, por mais que o jogador gostasse de dar "show"... Ainda por cima, a manter a actual média, Nani arriscava-sa a dar muitos mortais, aumentando as possbilidades de se lesionar.
Este episódio demonstra também o elevado grau de profissionalismo com que todos os pormenores são tratados num clube com a dimensão do United. Por cá, a maioria dos emblemas considera perigoso é ver os seus futebolistas a falar aos jornalistas. Enfim, é tudo uma questão de cultura!