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Os nossos heróis

Os nossos heróis

Quando um país como Portugal – sem grande tradição de resultados desportivos de excelência, aliada às sistemáticas dificuldades financeiras e à reduzida base de recrutamento própria de uma nação em torno dos 10/11 milhões de habitantes – consegue ajudar a potenciar o talento de alguns predestinados para a prática das mais diversas modalidades... todos devíamos ficar orgulhosos. Bem como torcer para que, na medida do possível, nada de errado suceda com esses nossos heróis. Contudo, de vez a vez acontece precisamente o contrário. E não é preciso uma lesão grave, um azar inesperado, para que um caminho de sucesso passe, rapidamente, a ser um trilho recheado de obstáculos. É pena.

Ver atletas de eleição como os canoístas Fernando Pimenta ou Teresa Portela a falhar Mundiais onde teriam reais possibilidades de lutar por medalhas; escutar uma judoca de “top” como Telma Monteiro a reclamar cuidados básicos; assistir a “guerras” de palavras (mais ou menos recentes) no triatlo ou na vela, ou constatar a imensa lista de desportistas que dispensam a chamada às várias seleções nacionais mostra que, afinal, nem só de bons resultados vive o desporto. E pouco importa tentar perceber se são os atletas ou os dirigentes (ou técnicos) os responsáveis pelas discórdias, pelos desencontros, pois na maioria dos casos haverá, com toda a certeza, culpas para repartir. Fulcral é que todos os agentes não se esqueçam de uma “regra” simples: a do bom senso.

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Não concordo que os atletas sejam meras “máquinas”. Podem e devem falar quando sentem que algo está errado. Podem e devem expressar as suas ambições. Da mesma forma que os dirigentes, colocando sempre o todo à frente das individualidades, também devem ter a capacidade para escutar aqueles que, com o seu esforço e dedicação, atingem os feitos que tanto desejamos. Só assim poderemos continuar, aqui e ali, a surpreender os mais fortes e ricos.

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