Ivo e Rui Oliveira. São gémeos. 17 anos. Um é campeão da Europa de perseguição. O outro é medalha de bronze na prova de scratch. Não é a primeira vez que ganham medalhas internacionais. Não é a primeira vez que levam o nome do nosso país ao estrelato. Sabe do que estou a falar? Sabe: Record já lhe disse quem são. São campeões de ciclismo. Da Rechousa para o Mundo.
O ciclismo é um desporto amado de uma maneira estranha em Portugal. Temos muitos heróis passados, como Joaquim Agostinho, e o grande herói atual, o campeão do Mundo Rui Costa. Não há muitos campeões do Mundo em Portugal, seja em que modalidade for… Mas amamos este desporto de uma forma estranha porque é um desporto esquecido durante um ano inteiro e de que só nos lembramos dez dias por ano, na Volta, ou quando há estes momentos inesperados e gloriosos.
O ciclismo é um desporto em crise grave em Portugal. Não há dinheiro. Há salários baixos, há recibos verdes no meio do pelotão, há poucas equipas. Ainda assim, estamos com uma geração de ouro, que, além do Ivo Oliveira, do Rui Oliveira e do Rui Costa, inclui ciclistas como o Tiago Machado, Nelson Oliveira e mesmo o Sérgio Paulinho, que ainda está na estrada e que ganhou a única medalha olímpica para Portugal no ciclismo de estrada, prata em 2004.
Vale a pena contar estas histórias, de famílias simples portuguesas de localidades periféricas, que alcançam feitos do tamanho do Mundo. A belíssima reportagem que Record fez esta semana na Rechousa, um lugar a dez minutos do Porto que parece estar a uma distância inultrapassável, mostra os dois heróis Ivo e Rui, que pertencem a uma família em que o ciclismo corre há muito tempo. São os próprios que agradecem a inspiração “ao tio Germano”. E ao irmão Hélder Oliveira, que nos seus 31 anos está neste momento a disputar a Volta a Portugal. Eis uma nova geração que desponta, em resultado também daqueles que, nas gerações anteriores, se sacrificaram para que o ciclismo português se desenvolvesse. Quando se fala de ciclismo parece que falamos da família. Eis Portugal.