Esta manhã, quando consultei o "mail", ainda em casa, reparei que um dos frequentadores do Record Internet me tinha enviado um pequeno vídeo, com imagens de um programa televisivo de um canal brasileiro disponível no cabo.
Na peça, um pseudo-entendido em futebol que faz figura de apresentador (entre outras figuras...), "rasgava" a Selecção Nacional. Do alto da sua imensa sapiência, a triste figura dizia, entre outros disparates, que "Portugal era muito ruim, horrível".
Percebi, alguns segundos depois, que o artista tinha feito tais declarações após os dois primeiros jogos de Portugal na Alemanha. Angola e Irão, claro está, também não escaparam ao "olho clínico" do tal Milton Neves. "São times mortinhos. É uma vergonha estarem no Mundial", resumiu, provavelmente defendendo que a América do Sul comece a apurar 8 ou 9 representantes em 10...
Satisfeito da vida, o apresentador satírico-desportivo fez um "aviso" às pessoas que o estavam a ver "lá em Portugal, em Lisboa, em África...". "Jogando como o fizeram até aqui, não ganham ao México. Só se melhorarem 400%. E depois pegam a Holanda e perdem relativamente fácil. Caso o adversário seja a Argentina, o melhor é Portugal nem entrar em campo..."
Que se pode dizer a alguém com tamanha capacidade visionária? Talvez para não gastar dinheiro em apostas, pois está visto que é desperdiçar capital.
Nada tenho contra os brasileiros, mas sempre considerei que a maioria, embora sendo loucos por futebol, percebem tanto do jogo como da reprodução de cágados no Afeganistão. Ou seja: nada!
Iluminados com o Sr. Neves podiam, de tempos a tempos, viajar até à Europa, pois para além de aumentarem os seus conhecimentos geográficos, também podiam passar algum tempo a ver futebol. Facilmente perceberiam que o Brasil não é assim tão superior em relação a determinadas selecções. Mais: facilmente aceitariam que Argentina, Itália e Inglaterra não são os únicos países capazes de jogar "taco-a-taco" com o "escrete".
Por aqui, é verdade, não temos potências como a Venezuela ou Perú, nem tão pouco os poderosos Chile ou Bolívia. Mas, olhando com atenção, talvez se possa encontrar muitas equipas capazes de colocar em sentido um conjunto tão forte que, de tempos a tempos, até recebe umas ajudas suplementares...
Todos temos direito à nossa opinião (até o Neves...), mas convinha ter um pouco de atenção ao que se diz. É que, tal como os peixes, também pode ser que o Brasil - que, até ao momento, em nada está a ser superior ao Gana, quanto mais a Portugal... - venha a "morrer" pela boca.
Veja aqui o vídeo de Milton Mendes