Os reféns e os tontos

Os reféns e os tontos

A Seleção Nacional não consegue desfazer-se da teia em que se enredou. Há dois anos fez uma clara opção política. Entregar, literalmente, a Seleção a Cristiano Ronaldo, confiando de forma cega no seu estatuto de melhor do Mundo. A FPF aceitou ficar refém de Ronaldo e de tudo o que ele representa. Não é que Cristiano não mereça o reconhecimento do seu talento, capacidade e até exemplo. Mas a partir do momento em que se coloca por inteiro a Seleção nas mãos (e nos pés) de Cristiano Ronaldo, coloca-se a Seleção ainda mais refém de outros interesses. A Seleção foi por isso entregue a Cristiano Ronaldo, aos patrocinadores, ao superempresário, e a tudo o que está para além do rendimento desportivo. As escolhas não têm nada a ver com a forma dos jogadores. Podem estar mal preparados, como se viu que estão, mas têm lugar na elite da FPF. Como se houvesse um decreto que impusesse a sua presença, em detrimento de outros, porventura em melhores condições (físicas) para corresponder às exigências desta competição.

O critério não-desportivo colocou uma Seleção mal preparada neste Mundial. O unanimismo bacoco que o País e largos sectores da comunicação social alimentam, a defesa intransigente de um clã burguês e arrogante, que defende contratos e patrocínios, no presente e a pensar no futuro, para interesse próprio, não ajudam à afirmação da imagem da Seleção, há muito transformada em entreposto das mais diversas mais-valias.

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O selecionador foi escolhido para ser a cola deste cimento de interesses. A plataforma giratória sobre a qual o presente e o futuro estão sempre assegurados.

As pessoas são livres de se entregarem a estes papéis. Não vale a pena é fazerem-nos de tontos. E enquanto o povo discute se João Pereira fez penálti, se Pepe deveria ter sido poupado à expulsão ou se o tendão rotuliano de Cristiano está mais ou menos inflamado, a FPF (de Fernando Gomes) passa incólume perante este teatro de máxima irresponsabilidade.

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