A guerra de palavras entre Benfica e Sporting não espanta, nem espanta sequer a violência com nela tem escalado - e escaldado. Nem Luís Filipe Vieira nem Bruno de Carvalho são copinhos de leite, são líderes com catarro na voz e armas nas mãos. Se esta história fosse mesmo um episódio dos Simpsons, como o presidente do Sporting ironizou ao citar Mr. Burns, o troglodita piadético Homer não entraria.
O perigo está no acicatar dos adeptos, mais do que no mal que faça aos clubes, que um dia lamberão as suas feridas. Numa guerra de palavras não se ganha. Ganha-se nos resultados, nos relvados. E se o Benfica ganhar nos relvados não precisa de desejar que o Sporting perca, como evidentemente deseja em relação a Jorge Jesus. A vingança é sempre um mal que também inflige as carnes de quem desfere os golpes. E é quase sempre mesquinha.
O diretor de comunicação do Benfica dá a cara pelo presidente do Benfica, o presidente do Sporting dá o peito pelo seu treinador e os adeptos dão a cara pelos seus clubes. Mas esta guerra não tem apenas a batalha das palavras e a batalha dos relvados. Tem agora também a batalha dos tribunais. E essa não é uma batalha moral, é uma batalha legal; não é um duelo de corações, é uma disputa de razões. Por mais que aqueça os ânimos de Jorge Jesus, ou por mais que a intenção do Benfica seja desestabilizar o seu antigo treinador, a batalha legal é aceitável. Os tribunais são mesmo o único sítio onde uma batalha deste género tem cabimento: a lei é a lei, quando o juiz decidir, estará decidido. Um lado ganha, o outro perde.
Por Pedro Santos Guerreiro