O Benfica desta temporada tem sido uma equipa amorfa e angustiada. Custa a compreender como é que, com os mesmos jogadores da época passada, passámos a ter uma equipa transfigurada para pior. Ainda assim, é possível identificar algumas causas explicativas.
Desde logo, a depressão pós-traumática. Nenhuma equipa pode ultrapassar com facilidade a sucessão de derrotas de contornos trágicos como as de maio. Por mais maturidade que o plantel e os líderes do balneário tenham, não é fácil superar as memórias de uma reta final que destruiu uma temporada que ficaria para os anais da história do Glorioso.
Não menos importante, com Jesus, o Benfica é muito dependente da capacidade de aceleração dos extremos. Desse ponto de vista, jogar com Sálvio e Gaitán em forma faz toda a diferença. Ora, por comparação ao ano anterior, as alas têm falhado e, com isso, comprometem também o jogo dos homens do meio. Não deixa de ser surpreendente que, de um plantel com excesso de extremos, o Benfica – por força de uma lista de lesões musculares que teima em crescer – tenha passado a ter dificuldades com extremos. O que nos leva à relevância da estreia a titular de Ivan Cavaleiro.
A importância da entrada na equipa de Cavaleiro não resultou tanto do que jogou mas do empenho e do dinamismo que este colocou na partida. Cavaleiro pode ser o suplemento de alma de que o Benfica precisa e contribuir para oxigenar uma equipa a necessitar de um novo fôlego. De certa forma, pode desempenhar o papel que Markovic prometia assumir e que, por força das lesões, tem ficado adiado.
A Ivan Cavaleiro falta maturidade e não é ainda garantido que venha a ser jogador titular no Benfica, mas pode, por agora, ser o desbloqueador mental e anímico de que a equipa precisa. Como é sabido, no futebol não importa tanto o que se joga mas o que se faz a jogar. Talvez um pouco de alegria devolva o Benfica às boas exibições. Para isso, nada como ter na equipa um jovem a atuar com entusiasmo e determinação. Uma atitude que pode contagiar a equipa.