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Opinião
Miguel Salema Garção Gestor e antigo dirigente do Sporting

Padel: Desporto e Networking

Padel mundial ultrapassa os 40 milhões de praticantes e Portugal prepara novos passos para crescer.

Com mais de 91 mil campos em 191 países, a modalidade reforça a sua dimensão internacional. Em Portugal, o trabalho da Federação Portuguesa de Padel e o projeto da futura Cidade do Padel representam duas apostas no desenvolvimento sustentado da modalidade.

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O padel continua a afirmar-se como um dos fenómenos de crescimento do desporto mundial. De acordo com o FIP World Padel Report 2026, a modalidade reúne cerca de 40 milhões de praticantes amadores em todo o mundo, num percurso de expansão que se reflete no aumento do número de clubes, campos e competições.

Os dados do relatório apontam para a existência de 28.497 clubes e instalações e 91.234 campos, distribuídos por 191 países e territórios. Números que demonstram a dimensão alcançada pelo padel e a sua capacidade para conquistar novos praticantes em diferentes geografias.

A Europa mantém uma posição de destaque, concentrando cerca de 62,5% dos campos existentes. Contudo, o crescimento estende-se cada vez mais a outras regiões, com particular expressão na Ásia. Segundo o relatório, dois em cada cinco clubes inaugurados em 2026 situam-se naquele continente, que representa também quase um terço dos novos campos. O Sudeste Asiático destaca-se entre os mercados onde a modalidade tem vindo a ganhar terreno.

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Uma indústria que movimenta milhares de milhões

A expansão do padel não se limita à vertente desportiva. Um estudo realizado pela Federação Internacional de Padel, em colaboração com a OpenEconomics, estima que a despesa mundial associada à modalidade alcance 6,8 mil milhões de euros em 2026.

O mesmo estudo calcula um impacto de 8,6 mil milhões de euros no produto interno bruto e cerca de 236 mil empregos equivalentes a tempo inteiro, considerando 76 países e uma categoria adicional relativa ao resto do mundo.

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Estes indicadores confirmam a importância económica de uma modalidade que mobiliza clubes, atletas, treinadores, organizadores de eventos e empresas ligadas à construção e manutenção de instalações e à comercialização de equipamento desportivo.

Também a participação feminina assume um peso significativo: as mulheres representam aproximadamente 47% dos praticantes amadores, de acordo com os dados apresentados no relatório.

Portugal cresce e a Federação assume um papel central

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Em Portugal, a evolução da modalidade acompanha a tendência internacional. Em setembro de 2026, o país contabilizava 480 clubes ou instalações e 1.620 campos, segundo o relatório da Federação Internacional de Padel.

Face a 2025, o documento estima um crescimento anual de 7% no número de instalações e de 5,1% no número de campos. São indicadores que refletem a consolidação do padel no território nacional e a importância do trabalho desenvolvido por clubes, agentes desportivos e entidades responsáveis pela modalidade.

Neste percurso, merece destaque o trabalho da Federação Portuguesa de Padel (FPP), cuja atividade passa pela promoção e organização da competição, pelo apoio aos clubes, pela formação de jovens atletas e técnicos e pelo desenvolvimento de iniciativas que procuram alargar a prática a diferentes públicos.

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O apoio aos clubes, o incentivo ao padel jovem e escolar e a organização de ações de dinamização são áreas relevantes desta estratégia. A par do crescimento do número de praticantes, torna-se fundamental criar condições para melhorar a qualidade da prática, reforçar a formação e assegurar que a expansão da modalidade se traduz também em oportunidades desportivas para as novas gerações.

O desenvolvimento de infraestruturas e a melhoria dos padrões de qualidade e segurança dos campos constituem igualmente desafios importantes para o futuro do padel português.

Cidade do Padel: um projeto para o futuro

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Entre os projetos de maior dimensão associados ao desenvolvimento da modalidade em Portugal destaca-se a Cidade do Padel, uma iniciativa pensada para dotar a Federação Portuguesa de Padel e o desporto nacional de um complexo de referência.

O projeto prevê a construção de 17 campos de padel, acompanhados por instalações profissionais destinadas à formação, à preparação desportiva e à realização de grandes eventos nacionais e internacionais. A infraestrutura foi concebida para funcionar como um centro de desenvolvimento da modalidade, criando melhores condições para atletas, treinadores e organização competitiva.

A iniciativa conta com a participação de parceiros privados, entre os quais Cristiano Ronaldo e Filipe de Botton. Contudo, o plano inicial para o Vale do Jamor sofreu um revés devido a questões geológicas e aos custos associados à intervenção necessária no terreno. No plano de atividades para 2026, a Federação indicou que estavam em curso negociações para encontrar uma nova localização, mantendo-se o compromisso dos parceiros com o investimento.

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A concretização do projeto poderá representar um passo importante para o padel nacional, ao concentrar num único espaço condições para a formação, o desenvolvimento técnico e a organização de competições de maior dimensão. A sua evolução será, por isso, acompanhada com interesse por uma modalidade que procura consolidar o crescimento dos últimos anos.

Mais competição e ambição internacional

A dinâmica de crescimento também se observa no calendário internacional. O FIP CUPRA FIP Tour tem 431 torneios confirmados para 2026, face aos 307 registados em 2025, o que corresponde a um aumento de cerca de 40%.

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A expansão do circuito abre novas oportunidades competitivas e contribui para a internacionalização da modalidade, num contexto em que a formação e a valorização dos atletas assumem importância crescente.

Com mais praticantes, uma rede de infraestruturas em expansão e um impacto económico cada vez mais expressivo, o padel atravessa uma fase de transformação à escala global. Em Portugal, o trabalho da Federação Portuguesa de Padel, em articulação com clubes e parceiros, e a ambição associada à futura Cidade do Padel enquadram os próximos desafios: continuar a crescer, elevar a qualidade da prática e criar condições para que o país reforce a sua posição no panorama internacional da modalidade.

Por Miguel Salema Garção
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