Na semana passada, na revista "Visão", Pedro Norton revelou que dera licença aos seus filhos para uma semana de palavrões livres em casa. Por causa da saída de Jorge Jesus para o Sporting, os miúdos puderam dizer tudo, mesmo tudo, aquecendo as orelhas do treinador dissidente. Obviamente, trata-se de família de benfiquistas (benfiquistas da categoria extrema, a dos malucos pelo Benfica) e o texto, que é divertidamente delirante, agradece também a Jesus tudo o que fez no Benfica, jurando a maior antipatia possível no futuro.
Cada benfiquista resolve a sua raiva da forma como pode, mas suponho que a maioria deles (ou, sendo completo, a maioria de nós) a transforma em desejo de vingança. Não no sentido de fazer mal a Jesus nem sequer ao Sporting, mas vingar o orgulho benfiquista, que foi brutalmente ferido com esta saída do treinador de um lado para o outro da Segunda Circular, em Lisboa. Ora, essa vingança vem de ganhar ao Sporting na Supertaça, nos jogos do campeonato e sobretudo ser campeão na próxima época.
É também por isso que a próxima temporada, mesmo que com plantéis mais baratos, vai ter uma rivalidade vitaminada. E Rui Vitória vai ter uma pressão tão alta na Luz como Jorge Jesus em Alvalade.
No meio da polarização desta rivalidade, o FC Porto saiu das discussões e isso pode até nem ser mau para a equipa nortenha. Lopetegui, que, como o "DN" lembrava esta semana, é o único treinador das seis equipas melhor classificadas esta época que fica, não tem os focos sobre si. E no entanto, já se deve ter rido muito desta transferência de Jesus. Aos palavrões. E durante mais do que uma semana.