Paulo Sérgio: boa opção

Lembro-me bem do Paulo Sérgio futebolista. Não era um avançado de encantar, um jogador de arrebatar a plateia, mas desengane-se quem pensa que era apenas mais um. Tinha força, sabia posicionar-se, andava sempre com os olhos postos na baliza contrária e, mais importante, era inteligente.

Não sei as vezes que o vi treinar no Belenenses, mas foram muitas. Ganhar espaço na equipa não era, naquela altura, nada fácil, mas ele lá andava sempre disposto a agarrar uma oportunidade. E mereceu os seus momentos.

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Embora à distância, tenho acompanhado com curiosidade o seu trajecto como treinador e, se é verdade que é cedo para saber se pode ou não chegar longe (em Portugal, a resposta definitiva só aparece quando surge a oportunidade de orientar um clube com reais condições de lutar pelo título), tenho gostado das indicações.

Paulo Sérgio apresenta um discurso coerente, positivo e ambicioso. E uma opção futebolística interessante, própria de quem prefere correr riscos a jogar para a vitória em vez de se preocupar única e exclusivamente em não perder. Esse, em meu entender, é um dos princípios fundamentais para ter sucesso. Depois, como sempre, é preciso conjugar uma série de factores, sendo um dos quais, bastante importante, a sorte. Conheço quem defenda que a fortuna dá muito trabalho a conquistar. Também é verdade. Mas, podem ter a certeza, com falta dela é que ninguém se safa.

Todos sabemos que a primeira opção leonina para suceder a Carvalhal era André Villas-Boas. O acordo esteve feito, mas por alguma (ou várias) razão abortou. Adiante, pois não me parece que o trabalho de Paulo Sérgio seja mais complicado por saber que foi uma segunda opção. Fulcral é ter os meios (jogadores e não só) necessários para competir de igual para igual.

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Pessoalmente, não creio que o Sporting fique a perder com a troca de Villas-Boas por Paulo Sérgio. Aliás, sem nenhum desprimor para o ainda responsável da Académica, nunca consegui entender a forma como, sem experiência alguma, ganhou a atenção dos responsáveis leoninos e, logo de seguida, da maioria dos adeptos. Num clube grande, nenhum nome é consensual, mas não me lembro de ninguém ter merecido tanto apoio sem que, atrás de si, tivesse um currículo significativo para mostrar. Trabalhar com José Mourinho não devia funcionar, por si só, como um atestado de capacidade. Mas, isso, agora, não vem ao caso...

PS - A época futebolística do Sporting tem sido marcada por um sem-número de situações insólitas, algumas a raiar o absurdo. Destaco, sem esquecer a cena de pugilato entre Sá Pinto e Liedson, três envolvendo Carlos Carvalhal, já que não me recordo de nenhum treinador dos grandes que não tenha tido direito a apresentação formal ou que tivesse sido contratado por apenas 6 meses. Mas, como se isso não bastasse, viu a possibilidade de manter-se no posto negada ainda com a equipa a lutar pela qualificação para as competições europeias. Melhor, agora, só o clube anunciar o acordo com o responsável vimaranense quando, matematicamente, o Vitória ainda não tem a sua situação definida e, hipoteticamente, até pode terminar à frente do Sporting (embora isso não vá acontecer). Sei que existe acordo entre os clubes, mas a Associação de Treinadores ou a própria Liga deveriam impedir senão os "namoros", pelo menos o anúncio oficial de "casamentos" com a temporada ainda a decorrer. Mas, enfim, todos sabemos que por aqui vale (quase) tudo...

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