Opinião
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

Paz no campo

Abre-se os jornais, acende-se a televisão, liga-se o rádio e só dá Benfica-Sporting. Mas não dá futebol, dá clubes. Não dá debate, dá combate. Não dá a antevisão do jogo, dá uma visão de guerra. 

Compreende-se a razão, a guerra existe, não foi inventada pela comunicação social e o interesse de leitores, espectadores e ouvintes é confirmado pelas audiências. Até porque a estreia de Jesus às riscas verdes na Luz é em si mesmo um fator criador de grande tensão. Mas quando Carlos Xistra apitar no domingo para o início do jogo, serão onze contra onze no campo e seria bom que os mais de 50 mil no estádio não estivessem tomados pela rivalidade incendiada, e incendiária, das últimas semanas.

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Dos 22 jogadores em campo não se tem ouvido polémica. O que todos eles querem é jogar e ganhar. De preferência em paz. Dois exemplos, o prodígio de Nico Gaitán e a segurança de Rui Patrício são apenas parte de dois jogadores que, cada um à sua maneira, mostram um empenho total em cada jogo como forma de compromisso permanente com o clube. Eis dois exemplos de grandes desportistas, não só pelo talento mas também pela dedicação às suas equipas, no objetivo comum de ganhar.

Exemplos como estes, e há mais, devem inspirar o desejo de um grande jogo no domingo, num ambiente de desportivismo. Pedi-lo não devia ser ingenuidade, apenas paixão pelo desporto. O exemplo do campeonato de râguebi, que decorre à mesma hora, mostra porquê. Basta ver a forma apaixonada como os adeptos seguem. E sim, também dá grandes audiências. Porque para quem gosta de desporto nada existe de melhor do que… desporto.

Por Pedro Santos Guerreiro
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