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Não há pai para Pinto da Costa. O presidente do Futebol Clube do Porto está de regresso, com sucessivas entrevistas depois do prémio carreira recebido no inesperado destino do Dubai. Como aqui escrevia ontem José António Saraiva, Pinto só de nome – o homem é galo mesmo.
Renovar a confiança num treinador, como fez ontem Pinto da Costa, é quase uma tautologia: são promessas que duram tanto como os amores de verão. E gozar com orelhudos ou cabeçudos é matéria para entreter o pagode. Nesse aspeto, Pinto da Costa é o Alberto João Jardim do futebol: no primor da crítica nunca falha. Mais relevantes são as preocupações económicas reveladas.
A economia hoje domina tudo e já chegou também ao futebol. Não era normal ler ou ouvir entrevistas de presidentes de clubes a falar de dinheiros. Agora é. Incluindo Pinto da Costa.
O presidente do Porto está preocupado com o aumento da taxa do IVA nos bilhetes de espetáculos de futebol, que os encarecem ou reduzem as margens dos clubes. Tanto mais que, para redução de bilheteira, já basta a recessão e o diabo que a carregue. Mais, Pinto da Costa queixou-se ontem na SIC da “exploração” dos clubes feita pela Federação Portuguesa de Futebol, que encaixa receitas com a Seleção Nacional, deixando os custos nos clubes: uma espécie de subsídio dos “privados” ao “Estado”. Este tipo de discurso, recente, revela bem como os clubes já têm um olho nas tabelas de classificação e o outro olho no extrato bancário. E pior será, pelo menos para os clubes grandes, se o Estado limitar as contratações de jogadores estrangeiros. Mas isso fica para outra crónica. E não diz respeito apenas ao Porto, Benfica e Sporting. Por razões desportivas. E por razões económicas...