_
O Benfica vai subir este fim-de-semana a A1, passar sob as pontes do Porto e estacionar no Dragão as suas intenções para este ano. Se perder, o campeonato pode ficar arrumado. E o Porto está sedento disso: de arrumar, se não o campeonato, pelo menos o Benfica. Por rivalidade, antiga e extrema.
À entrada, o Porto apresenta-se com uma equipa mais forte e, sobretudo, mais constante. O Benfica deste ano continua a ser capaz do melhor mas passou a ser também capaz do pior. De ter 75 minutos de sonho e 15 de pesadelo, como contra o Lyon. Longe, muito longe, de cumprir a ambição europeia de Jorge Jesus. Suficiente para capturar o Porto?
Tudo isto são, no entanto, considerações próprias de um jogo e das únicas quatro linhas que não são tortas. Intolerável é a ameaça latente dos apedrejamentos ao autocarro, que a direção do Porto e administração da sua SAD não desencorajam nem dissuadem. Pinto da Costa é um gestor único e coleciona títulos como nenhum outro mas mantém, em 2010, tiques trogloditas dos anos 80. O tempo das claques como guarda pretoriana e de polícias fardados com riscas azuis imaginárias terminaram. Ou não?
O Benfica fez ameaças tolas e instigou comportamentos inaceitáveis quando pediu aos adeptos que boicotassem os jogos fora de casa. No caso dos clubes menores, essa convocatória era um abuso de posição dominante, que trai os princípios mais básicos daquela toalha amarela que desfila antes dos jogos e diz “fair play”. Mas Luís Filipe Vieira está carregado de razão quando se insurge contra a complacência com que as autoridades toleram o apedrejamento sobre os jogadores. Pinto da Costa devia entrar no autocarro do Benfica em Antuã e servir de escudo humano à intifada alarve. Mas parece não estar muito preocupado. Faz mal.