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Porto à venda

Porto à venda

Há contas que parecem simples: Porto afastado da Champions, Moutinho à venda. O que parece complicado é os clubes portugueses deixarem-se apoderar pela imagem de entreposto comercial por onde jogadores passam – mas não querem ficar.

O Porto está este ano em declínio. Isso é evidente não apenas na qualidade do futebol, que se tornou dependente do rasgo de Hulk, mas agora também nas competições. A saída da Champions foi culminada por um jogo sem sorte mas acontece por demérito acumulado ao longo de vários jogos. O Porto acusa a saída de jogadores-chave e de um treinador carismático. Mas a falta de chama, de vontade, de viço resulta de outra coisa além de quem saiu: quem ficou. Olha-se para aquela equipa e não parece haver muita gente com vontade de lá estar. O Sporting andou assim anos a fio.

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O fenómeno tem sido denunciado aqui e ali: haverá jogadores do Porto que ficaram contrariados por não terem sido transferidos esta época. E por isso baixaram os braços, amuaram, desmoralizaram e desmobilizaram o balneário. Noutros tempos, a coisa resolvia-se à bruta, eles que jogassem, pois eram pagos para isso. O presidente, o treinador e o capitão garantiam esse compromisso. Hoje, contudo, os jogadores são vedetas. Querem dinheiro. Querem colo.

O Porto montou um modelo de sucesso nos últimos anos, contratando jovens promessas (sobretudo na América Latina) que ganhavam campeonatos e depois eram vendidos várias vezes mais caros. O modelo foi aliás copiado na Luz e parece estar a sê-lo em Alvalade. O problema do modelo, que não está errado, é que os próprios jogadores contratados já veem o Porto não como um destino, mas como uma passagem. Mas o Porto não é uma montra. Só uma liderança forte consegue dominar jogadores que estão à venda. Neste momento, o Porto não a tem.

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