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Porto vs. Lisboa

Porto vs. Lisboa

Os “três grandes” já tiveram todas as combinações possíveis de alianças a traições, numa espécie de rotação em cama quente que já colocou dois contra um, todos contra todos e até o sistema “versus” resto-do-mundo. Pois bem, nestas eleições da Federação Portuguesa de Futebol há outra luta de poder. Entre Porto e Lisboa. Que poder? O das arbitragens.

As eleições resultarão de uma votação quase impenetrável entre diversos micropoderes que desaguam na Federação. A disputa está entre Fernando Gomes e Carlos Marta, que apresentaram candidaturas com curiosidades paranormais: Fernando Gomes, ex-administrador da SAD do Porto, é apoiado pelos “grandes” de Lisboa, Sporting e Benfica; Carlos Marta, que arregimentou o benfiquista Fernando Seara e o sportinguista Luís Duque, é apoiado pelo Porto…

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A FPF recuperou poder depois da transferência de funções da Liga, que voltaram à casa da partida. Nomeadamente o poder na arbitragem. Porque esse poder existe mesmo com árbitros competentes e imparciais. Não se trata de ter árbitros com corações azuis, encarnados ou verdes debaixo das camisolas pretas, nem de bolsos com mais notas que as dos jogos. Trata-se da avaliação das arbitragens: elas condicionam a carreira de cada árbitro. Se quem avalia não é isento, os árbitros ficam sujeitos a pressões ilegítimas que afetam os seus desempenhos, potencialmente a favor dos clubes que dominam os organismos que os avaliam. É um conflito de interesses disfarçado. Ora, Lisboa acha que o Porto domina hoje o processo.

As espingardas contam-se a 10 de dezembro. Até lá, vão contar cabeças, estrelas, histórias e historietas. Mas mesmo que nenhum destes clubes queira dominar a arbitragem, quer pelo menos evitar que o outro possa dominá-lo. Quem ganha?

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