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1º Terminou a histórica fase de grupos da Liga dos Campeões onde Portugal, pela primeira vez, contou com a presença de três clubes, precisamente os grandes cá da terra. No final, tivemos um pouco de tudo: apuramento para os oitavos-de-final; eliminação com "desvio" para a Taça UEFA e afastamento puro e simples das competições europeias.
Creio que o desfecho dos emblemas nacionais vai de encontro à sua actual realidade. Benfica e Sporting, reconheço, possuem potencial suficiente para fazer mais e melhor, mas a grande verdade é que nos últimos anos poucas foram as vezes em que os rivais da capital conseguiram brilhar além-fronteiras.
Eu sei que o Sporting chegou recentemente à final da Taça UEFA. E também me lembro que o Benfica, na temporada passada, teve desempenhos de classe na "Champions", derrotando, por exemplo, Manchester United e Liverpool. Mas, sejamos realistas, nos tempos mais recentes só o FC Porto, entre todas as equipas lusas, conseguiu apresentar resultados consistentes a nível internacional, sendo de destacar os sucessos averbados, em épocas consecutivas, na Taça UEFA e na Liga dos Campeões.
Se o Benfica jogasse agora na Dinamarca, na Escócia ou em casa com o United talvez conseguisse angariar mais uns pontinhos. A equipa está um pouco melhor, embora os derradeiros 45 minutos de Manchester não tenham sido famosos. Já o Sporting, se tivesse jogado em casa com o Spartak há um ou dois meses, não duvido que somaria uma vitória e, pelo menos, asseguraria a presença na Taça UEFA.
Mas, o problema de águias e leões é exactamente esse. Para manter um estatuto elevado na Europa, não basta ter um ano em cheio de tempos em tempos. É exactamente o contrário: ter um ano mau de vez a vez. Com o FC Porto foi isso que sucedeu aquando da gestão do tal Adriaanse, um técnico tão teimoso quanto desconhecido da elite internacional, ao ponto de agora ter assinado contrato com o colosso Metallurg Donetsk, o oitavo colocado do poderoso campeonato ucraniano!
Os resultados das equipas portuguesas reflectem também outra realidade óbvia: não existe por cá valor suficiente para ter três clubes ao mesmo tempo na mais importante competição europeia. Eu sei que é duro constatar isto, mas esta é que é a verdade. Portugal com três emblemas na Liga e outros tantos na UEFA é um equívoco que, tendo em conta os últimos desfechos, rapidamente será desfeito.
Numa lógica em que os senhores da UEFA só pensam em ganhar dinheiro, as competições europeias estão desenhadas para que ingleses, italianos, espanhóis e alemães estejam sempre em destaque. Depois, só os franceses do Lyon parecem capazes de interferir com regularidade no actual "status". Ou então acreditar que um qualquer "outsider" possa surpreender. Que saudades tenho das antigas competições internacionais...
Bem sei que no passado existiam menos duelos de gigantes. Mas, todos os campeões tinham hipóteses teóricas de conquistar o título europeu (algo que agora é negado com o esquema das pré-eliminatórias) e, mais importante, não se corria o risco de ter um campeão europeu que tinha terminado o seu respectivo campeonato em terceiro ou quarto lugar...
2º Desculpem voltar a falar no caso das naturalizações (prometo que é a última vez), mas a situação está a ganhar contornos verdadeiramente ridículos. Agora, Paulo Assunção também está à disposição de Scolari. Folgo em saber isso. E acrescento que conheço mais uns milhares de futebolistas que também estão. E todos portugueses...
Por este andar, Scolari vai ter dificuldades em encontrar espaço na sua agenda se quiser receber todos os interessados em representar o nosso País. Engraçado no meio de tudo isto é relembrar que quando era seleccionador brasileiro não teve uns minutos para falar, em Lisboa, com Jardel, na altura só um dos melhores marcadores mundiais e que pretendia, apenas e só, representar a sua nação...
Sempre que se discute esta coisa das naturalizações, há quem aproveite para misturar "alhos com bugalhos". Assim sendo, faço já, por antecipação, a minha defesa: sou contra as naturalizações a granel e por interesse; defendo que todos os cidadãos estrangeiros que preencham os requisitos necessários podem, se o desejarem, pedir a nacionalidade lusa, mas não devem representar o País; os casos de Deco, Derlei, Pepe, Paulo Assunção ou Liedson serão sempre diferentes de Eusébio, Coluna e tantos outros. Os primeiros nasceram brasileiros e os outros, embora oriundos de África, nasceram portugueses. E mais: não sou xenófobo, nem de extrema-direita e tenho grande aversão a quem defende esses ideais.