No dia em que o Manchester United veio a Portugal “pescar” Nani e Anderson defendi neste espaço que, tendo em conta que a época das transferências ainda estava no começo, mais futebolistas de nomeada a actuar no nosso País acabariam por mudar de ares. Não me enganei e, coincidência, FC Porto e Sporting voltam a ver partir duas das peças mais importantes dos últimos anos precisamente no mesmo dia e para a mesma nação: depois de Inglaterra, agora a Espanha.
Pepe e Ricardo possuem, de facto, qualidade suficiente para marcar presença num campeonato mais competitivo, razão pela qual entendo o seu interesse em experimentar novos desafios, o brasileiro com o objectivo de ganhar tudo no Real Madrid; o internacional português com metas consideravelmente mais modestas no Bétis. Percebo também que os dirigentes portistas e sportinguistas não consigam resistir ao assédio financeiro protagonizado por emblemas internacionais com outra capacidade económica. Trata-se, tão somente, de uma consequência normal, pois convém ter sempre bem presente que, para nossa tristeza, Inglaterra ou Espanha, como Itália ou Alemanha, pertencem a uma outra Europa que não a nossa, embora oficialmente estejamos todos na mesma...
O lado negativo de tudo isto é que, a Liga nacional, continua a perder valores seguros (e atenção ao que pode ainda suceder com Lucho, Quaresma, Nuno Gomes, Luisão, Simão, Miguel Veloso ou João Moutinho) sendo os clubes obrigados a apostar em nomes com pouca ou nenhuma expressão internacional para refazer os seus elencos. Mas, por mais que nos custe admitir, essa é a realidade actual dos emblemas lusos: é preciso vender para fazer frente aos cinzentos passivos. Depois, logo se vê as consequências desportivas. O ano passado o Benfica sofreu imenso com a saída de Ricardo Rocha; agora creio que Nani, Ricardo, Anderson e Pepe também vão fazer muita falta a leões e dragões. A solução é ter olho clínico para encontrar, nos mercados onde as bolsas lusas ainda são reconhecidas como fortes, substitutos com qualidade e margem progressão, de modo a que, no momento, o clube não sinta oscilações desportivas e daqui a 2-3 anos possa realizar novas mais-valias.
PS - Ao mudar-se para Espanha, Ricardo parece ter resolvido o problema que o atormentava nos últimos dias: o peso da carga fiscal no seu salário. Acredito que agora possa almoçar descansado e proporcionar uma vida mais tranquila à sua família. A propósito deste tema, um amigo meu diz que se ganhasse 100 mil euros/mês os descontos até poderiam ser de 75% que isso não o incomodaria. Subscrevo essa tese. Mas, para já, ficava satisfeito se deixasse de ouvir quem ganha tão bem a falar como se tivesse dificuldades para pagar a renda da casa, a prestação do carro ou a conta da farmácia...