Premiar o quê?

Premiar o quê?

Os jogadores da Seleção Nacional ganharão prémios monetários em caso de apuramento para o Euro’2012. Os valores noticiados – cem mil euros por jogador – foram desmentidos mas não esclarecidos pela Federação. Mas a pergunta começa por ser outra: faz sentido premiar jogadores que já ganham balúrdios por representarem o país? Não.

Em comunicado, a FPF diz três coisas: que os prémios noticiados “pecam largamente por excesso”; que os prémios são pagos pela UEFA às Seleções; e que o Estado ainda receberá parte deste dinheiro, uma vez que ele será rendimento dos jogadores, logo está sujeito a imposto.

PUB

É pena que o valor do prémio não seja tornado público, o que obviamente acontece para não provocar a ira num país em que se estão a derreter empregos, salários e pensões ao ritmo da austeridade. Já o argumento de que o Estado ainda ganha com os prémios chega a ser mesquinho: é suposto agradecermos? Finalmente: se o dinheiro é pago pela UEFA à Seleção, talvez a Federação o devesse usar para outros propósitos que não o de premiar com milhares aqueles que já ganham milhões. Por exemplo, usar o dinheiro para promover outros segmentos do futebol. E se não souber o que fazer ao dinheiro, não faltam jogadores desempregados ou equipas distritais falidas… A FPF é uma entidade de interesse público, não é uma agência de modelos.

A questão principal é, no entanto, moral. Faz algum sentido os jogadores de futebol ganharem prémios por cumprirem aquilo que lhes compete, que é ganharem jogos? Dificilmente. Na Seleção não se joga por amor à carteira, nem sequer por amor à camisola – mas por amor à bandeira. Se os jogadores levarem a Seleção ao Euro, o prémio de levar nome do país mais alto devia bastar-lhes como recompensa. Até porque carência não é, felizmente, coisa que qualquer destes jogadores conheça – ao contrário de muitos daqueles que dizem representar.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB