Opinião
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

Prendas

Já vimos presidentes de clubes acusarem presidentes de outros clubes de oferecem jantares caros, camisolas oficiais e outros presentes a árbitros. Já ouvimos comentadores que são adeptos de clubes acusarem presidentes de não pagarem prémios devidos a treinadores. Já consultámos sites na Internet com fugas de informação de contratos de treinadores e de jogadores, através de agentes, de fazer levantar os cabelos. Já pasmámos com clubes que fazem contratações de jogadores milionários sem se saber quem paga e sem se perceber quem recebe. Já nos lembrámos de antigos presidentes que denunciavam o 'sistema' sem contudo provocar qualquer alteração nele. Já descarregámos na Internet vídeos com escutas telefónicas de presidentes falando com árbitros usando exóticos códigos de linguagem. Já ficámos incrédulos com debates de presidentes na televisão que dizem que há comentadores pagos pelos clubes, como quem diz que são comprados. Já lemos notícias de presidentes de organismos internacionais de futebol que são acusados de corrupção e tráfico de influências em processos de escolha de países organizadores de Mundiais.

Já ficámos de boca aberta com presidentes de clubes que foram detidos, saíram durante segundos e voltaram a ser detidos. Já olhámos para presidentes que anunciam planos de recuperação de clubes que no final estão falidos. Já contabilizámos dívidas perdoadas por bancos a clubes insolventes. Já vimos, ouvimos, cheirámos, soubemos, embasbacámo-nos tantas vezes sem assistir a consequências que apetece desabafar: no futebol português há umas ricas prendas.

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Por Pedro Santos Guerreiro
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