Olho para o fenómeno do futebol como uma aprendizagem que se transmite, que se sente, que é inovadora, onde nada está fechado. Ao longo de 20 anos, bebi de variadíssimas experiências, trabalhando com inúmeros e diferentes treinadores, o que me permitiu adquirir e presenciar um crescimento evolutivo constante a todos os níveis.
Recordo-me que, no início, a informação era escassa e dada pelo treinador na chamada “palestra” no dia do jogo. Nos jogos internacionais, chegávamos a assistir a 90 minutos de um encontro do adversário, o que se tornava aborrecido para os jogadores que, na maior parte das vezes, chegavam ao final a “dormir”. Com o passar do tempo constatei que tudo isto foi mudando! Lembro-me de, nos últimos anos de carreira, essa mesma informação ser transmitida de forma simples, concisa e minuciosa, não se perdendo muito tempo. Um exemplo prático disto que refiro foram as épocas em que trabalhei com José Mourinho, nas quais recebíamos um DVD com todos esses dados. No meu caso, referentes às bolas paradas defensivas/ofensivas e às transições ofensivas. E tudo isso facilitava imenso o trabalho.
Por tudo isto, e fazendo uma análise aos três grandes, o que realmente muda é a capacidade de liderança e a estratégia dos seus líderes. A motivação dos seus jogadores, a disponibilidade/compromisso que cada um coloca no que faz. Cada um gere a equipa à sua maneira. Uns são mais conservadores, sugando tudo o que podem aos seus preferidos, quase sempre 13/14 jogadores; outros, mais arrojados, colocam todos em rotatividade permanente, utilizando todo o plantel, com níveis de motivação e compromisso altíssimos. No futebol os resultados mandam, mas, mesmo assim, identifico-me mais com a gestão coerente dos mais arrojados e confiantes. Julen Lopetegui é um belo exemplo e está no bom caminho... Assim os resultados o ajudem!