A vitória do FC Porto em Moreira de Cónegos vale muito mais do que os meros três pontos. Por ser em terreno alheio, por ser perante um Moreirense muito bem organizado e orientado por Miguel Leal, mas acima de tudo por ser em vésperas do dérbi de Lisboa. Após a derrota nos Barreiros, perante o Marítimo, pareciam os dragões estar a reviver o filme da temporada passada, condenados a ver o rival Benfica fugir na tabela classificativa sem que nada pudessem fazer. Contudo, a derrota encarnada na mesma jornada perante o Paços de Ferreira parece ter feito renascer a esperança nas hostes azuis e brancas, por ter mostrado que o Benfica, afinal, pode encostar a qualquer momento.
Foi precisamente assim que o FC Porto de Vitor Pereira se sagrou campeão em 2011/12 e em 2012/13, após ter recuperado desvantagens de cinco e quatro pontos. É nessa capacidade de saber esperar pelos deslizes alheios, nessa crença de que fazendo o seu trabalho a recompensa chegará, nessa autoconfiança irredutível, que os jogadores do FC Porto devem concentrar todas as suas forças. Só ganhando todos os jogos, o FC Porto pode pressionar os rivais, como fez ontem, ganhando o seu jogo e colocando o "fantasma" de títulos recentes sobre a cabeça dos jogadores encarnados esta noite em Alvalade.
Grande parte do mérito tem que ser atribuído, evidentemente, a Julen Lopetegui, que parece estar cada vez mais familiarizado com a cultura e a mística portistas. A forma como se recusa a baixar os braços, mas também as respostas que deu às provocações de Manuel José e Jorge Jesus, permitem vislumbrar um detalhe até agora oculto: os valores do dragão estão a ter mais efeito na personalidade do basco, juntando a isso as suas competências como treinador e a forma como tem gerido os recursos humanos de qualidade que tem ao seu dispor. E assim estamos, parece-me, definitivamente no bom caminho.