Pressão ou crise?

Antes do Sporting-Spartak Moscovo escrevi aqui que havia pressão em Alvalade, em resultado do desaire caseiro com o Benfica - acompanhado de prestação bem cinzenta - em vésperas de um embate importantíssimo a nível internacional. Como sempre acontece, nem todos os que passaram os olhos pelo texto concordaram. Mas, se calhar, agora até me dão alguma razão. É que, quer se queira ou não, há algo de errado lá para as bandas de Alvalade. Uma equipa que chegou a encantar na pré-temporada e nos primeiros jogos oficiais transformou-se, sem razão aparente, numa caricatura de si mesmo. Às últimas exibições leoninas faltou criatividade, força física, garra, objectividade e, essencialmente, capacidade de finalização.

Paulo Bento, honra lhe seja feita, foi claro e sucinto após as duas derrotas, admitindo que a sua equipa perdeu bem. Mas, a questão, de momento, é saber porque razão isso está a acontecer. Ou melhor: o Sporting perdeu e jogou tão pouco em duas derrotas consecutivas em casa porquê?

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Não sou adivinho, embora seja demasiado visível que existem questões psicológicas a obstar a um rendimento mais regular por parte do conjunto de Alvalade. Algumas das habituais pedras fulcrais do futebol leonino estão a léguas do seu real valor. Liedson, através da sua prolongada "seca goleadora", foi o primeiro a entrar em crise, mas parece-me pacífico que Nani, Carlos Martins, Djaló, Polga, Tonel e até o sempre disponível João Moutinho estão a passar por um momento de menor fulgor. Algo não os deixa exibir o futebol bonito a que nos habituaram. E já nem falo de Parades, Alecsandro ou Miguel Veloso, embora estes tenham a seu favor o facto de, nos últimos tempos, teram actuado pouco tempo.

Aceito que o técnico do Sporting não queira tornar pública a sua visão do problema, mas convém que debata internamente com os seus pupilos a origem desta súbita patologia.

Excepção feita à caminhada europeia, convém acrescentar que o Sporting tem tempo e talento suficiente para reverter o actual quadro negro, pois tenho a certeza que os futebolistas não desaprenderam nem o técnico passou a ser incompetente. Mas, como disse no artigo anterior, o futebol rege-se por resultados. E quando as coisas correm mal em duas ou três semanas seguidas, ninguém se recorda das vitórias de há meses. Foi por isso que aqui li muitos comentários a questionar Paulo Bento após o desaire com o Benfica; foi por isso que depois do final do jogo com o Spartak escutei os assobios em Alvalade.

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A deslocação do Sporting a Setúbal, no próximo sábado, reveste-se, agora, de capital importância. Uma vitória sportinguista poderá ser suficiente para recolocar os leões no trilho certo, mas um novo tropeção pode confirmar que a pressão está a dar lugar... à crise.

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