A saída de José Eduardo Bettencourt é um alívio – para ele próprio, para começar. A forma como saiu, desistente e fracassado, é até injusta. Mas foi a sua opção: Bettencourt foi um presidente com esforço, dedicação, devoção – mas sem glória. Foi ele que rumou à porta pequena para sair de Alvalade.
O presidente que agora sai mostrou não ter cabedal para a pressão de um clube como o Sporting Clube de Portugal. Foi inconstante, contratou pessoas fracas (que quis compensar com camadas de mais pessoas fracas), quando engrossava a voz soava a copinho de leite – levou baile, por exemplo, de João Moutinho e de André Villas-Boas.
Bettencourt foi demasiado assim-assim. A injustiça está em resumir a sua presidência a um ano e meio sem chama nem vitórias. Porque do ponto de vista financeiro, este foi o presidente que viabilizou uma reestruturação financeira que tirou o clube da falência técnica. E, como o país hoje bem sabe, sem finanças não há bem que sempre dure. A operação harmónio seguida de emissão de obrigações convertíveis é um passo que permite, com uma ajuda pouco assumida da banca (BCP e BES), começar de novo. Não é a garantia de um início de ciclo de prosperidade, mas é com certeza o fim de um período de aniquilamento financeiro. E isso o próximo presidente fica a dever a este.
José Eduardo Bettencourt deixa o trabalho feito mas sai no fim da primeira parte do jogo, deixando caminho aberto a outro que possa, agora, propor um plano para relançar um Sporting que, desportivamente, está desgarrado do topo. A estrutura da SAD está a estabilizar-se mas não há dinheiro para loucuras, termina apenas o sufoco. É por isso que Bettencourt foi um excelente administrador financeiro, mas apenas isso. O Sporting quis um presidente e encontrou um gestor. Mas o que precisa mesmo é de um líder.