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Proeza histórica de leão enjaulado

Proeza histórica de leão enjaulado

O futebol português fede? Fede. O futebol português está entregue há muitos anos a esquemas que subvertem a verdade desportiva? Indiscutivelmente. O futebol português precisa de criar condições para que todos os clubes tenham possibilidades de chegar à vitória? Sem dúvida. O futebol português necessita de uma profunda reformulação orgânica, de modo a reduzir o peso das influências fora das quatro linhas, principalmente no que diz respeito aos bastiões da arbitragem e da disciplina? Inquestionavelmente.

Esta corrida ao cadeirão da Liga trouxe à colação tudo o que de pior têm os bastidores do futebol português? Bastou um pouco de atenção. O Sporting e Bruno de Carvalho encontraram a melhor forma de denunciar a realidade? Não. O presidente dos leões ganha alguma coisa em promover o isolamento do Sporting e a aproximação (!!!) de FC Porto e Benfica? Definitivamente, não!

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O futebol português já estava bipolarizado antes da chegada de Bruno de Carvalho ao Sporting? Estava. O Sporting já vivia “enjaulado” quando era dominado por “condes-e-viscondes”? Claro que sim. Bruno de Carvalho (BdC) teve alguma responsabilidade na concretização dessa (bi)polarização? Nenhuma.

Nota prévia: só agora faz sentido, de algum modo, falar-se de bipolarização, porque o Benfica apareceu a contestar – por duas vezes nos últimos 5 anos – a hegemonia, consolidada, do FC Porto. Havia, portanto, uma clara polarização do FC Porto no campeonato português, e percebe-se claramente que é o Benfica a tentar introduzir o fenómeno da bipolarização e, para isso, precisa de ser mais consistente nas suas conquistas, sendo que a época de 2014/15 permitirá compreender melhor se este avanço dos encarnados tem... pernas para andar. O Benfica não é bicampeão nacional há 30 épocas!

Não sejamos hipócritas. O Benfica quer reduzir o tempo perdido para o FC Porto. O FC Porto quer continuar hegemónico. A aparição de BdC e a consequente conquista do segundo lugar não deixaram nem Pinto da Costa nem Luís Filipe Vieira tranquilos. O aparecimento de BdC no futebol português e na presidência do Sporting foi impactante. Nas medidas e no discurso. Mas é cedo, muito cedo, para se achar como uma ameaça. BdC foi rápido a fazer o diagnóstico. Não perdoou a desfaçatez de Adelino Caldeira, administrador da SAD do FC Porto, e aproveitou esse gesto para, sem mais delongas, cortar relações institucionais com o clube azul e branco. Durante meses consentiu a ideia de que o entendimento com o Benfica era possível e necessário. O Benfica-Sporting “da-lã-de-vidro” revelou extremos cuidados dos leões perante os acontecimentos. O leão poderia ter espetado as garras e não o quis fazer. Mas, se era para isto; se era para promover o isolamento institucional também perante o Benfica, então, nesse jogo da Luz, talvez se tivesse justificado uma postura menos conciliadora.

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O mais recente discurso de Bruno de Carvalho, que envolveu nádegas e trampa e uma linguagem que não está à altura de um presidente de um clube como o Sporting, é um passo atrás na afirmação de um novo dirigismo. Uma linguagem rasca, sem um mínimo de necessidade. BdC poderia alcançar o mesmo objectivo – na denúncia das perversidades do sistema – mas não caindo na “dialéctica de autoclismo”. BdC fez o mais difícil e em pouco tempo. Mas esta ânsia de protagonismo, somada à vontade de querer títulos numa fase em que há muito para recuperar (o Sporting não é campeão há 12 épocas e, nas últimas 30 temporadas, conquistou 2 títulos de campeão nacional...), numa tarefa recusada por Leonardo Jardim e que já envolveu Marco Silva numa espécie de “abraço de jibóia”, pode levá-lo a perder aquilo que meritoriamente alcançou.

Repare-se: Pinto da Costa, sorrindo, não respondeu. Vieira manteve-se em silêncio. E o que se viu? Algo que num passado recente era absolutamente impensável: Benfica e FC Porto sintonizados em relação à presidência da Liga. Quem ficou de fora? O Sporting. BdC conseguiu esse “milagre” de unir FC Porto e Benfica. Com que vantagens? Nenhumas! Ainda vamos ver Pinto da Costa e Vieira a normalizar relações? O que vamos ver, quase de certeza, é Benfica e FC Porto ainda mais confortáveis na FPF e na Liga.

JARDIM DAS ESTRELAS - *****

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O po(l)vo e o Mundial

... E o Mundial está aí! Um Mundial diferente. Um Mundial em que o grito das chuteiras promete não abafar o grito do povo. O futebol é uma modalidade maravilhosa, mas, quando se transformou em negócio, adquiriu tiques desprezíveis. Os toques na bola (perante os tiques de uma certa forma de agiotismo) perdem encanto. O dinheiro manda. A FIFA empurra, os Estados cedem. O dinheiro é distribuído, mas não chega ao(s) povo(s). O(s) povo(s) só tinha(m) o direito de assistir. Ver e calar. Participar no espectáculo como figurante(s). O mais interessante e impactante, motivo para profunda reflexão, é ser no Brasil, o país do futebol, o ponto de partida para uma abordagem não emotiva e racional daquilo que vinha sendo a manipulação das massas. Os brasileiros despertaram, do professor ao motorista. Rios de dinheiro (quase 14 mil milhões de euros gastos em estádios e infra-estruturas) para quatro semanas de futebol. Faz sentido? Fazia sentido, quiçá, num Mundo menos informado. Podemos estar a assistir à implosão do Mundial-alienação?

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