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Quanto vale Javi García?

Confesso não ter uma opinião muito concreta sobre as capacidades futebolísticas de Javi García, o mais recente reforço do Benfica. Basicamente, sei que se trata de um médio de características defensivas (trinco) produto dos escalões de formação do Real Madrid, um futebolista que marcou presença assídua nas selecções jovens espanholas, mas também alguém que, a partir do momento em que passou a sénior, poucas oportunidades sérias teve na principal equipa merengue.

Por não ter espaço de afirmação no Real, o clube negociou-o, em 2007, para o Osasuna, a troco de 2,5 milhões de euros. No entanto, tratando-se de um jovem e não querendo correr o risco de, em caso de evidente melhoria, vê-lo escapar para um adversário directo, o clube da capital espanhola incluiu no negócio uma cláusula que permitira readquirir o passe por 4 milhões. E após uma temporada interessante na formação de Pamplona, Javi (que é primo de Luis García do Atlético Madrid) voltou mesmo ao Real.

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No Santiago Bernabéu, porém, o espanhol voltou a não ser chamado de forma regular. Salvo uma ou outra excepção, jogou poucos minutos e nunca deixou de ser visto como um elemento sem grande influência numa equipa de estrelas. Por isso mesmo - e tendo em conta as dispendiosas aquisições efectuadas nos últimos tempos - há muito que era apontado como um activo dispensável.

A exemplo do que se passou no caso de Saviola, o Benfica estava atento e precisando de um jogador para o posto de médio defensivo resolveu avançar para a contratação. Parece-me normal. E considerando eu que se o argentino não serve para o Real pode e deve dar muito jeito aos encarnados, também acredito (embora muito menos que no caso anterior...) que Javi possa ser útil à equipa de Jorge Jesus. Só tenho dificuldade em compreender os valores envolvidos no negócio.

Vou deixar de lado uma questão igualmente pertinente - onde é que Luís Filipe Vieira descobre dinheiro para reforçar a equipa (mais uma vez) de forma substancial sem conseguir vender, por valores significativos, um único jogador? - e concentrar atenções neste caso específico. Só a mim me parece estranho um jogador com pouco cartel ser negociado por 7 milhões?

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Estamos a falar de um verba muito alta para os cofres dos clubes portugueses, pois os grandes cá do burgo não se podem dar ao luxo de apostar forte e feio em jogadores de rendimento questionável. Uma coisa é pagar 7,5 milhões por Ramires - internacional brasileiro que, pelo que se viu recentemente, tem todas as condições para ser uma das pedras essenciais do escrete durante o Mundial do próximo ano -, outra é dispender tanto dinheiro em alguém que, em traços gerais, não passa de uma incógnita.

Aceito que o Benfica precisa, de momento, mais de um trinco que de um ala, mas deixar escapar Reyes para investir tanto em Javi García é estranho. Quase tanto como alguém, um dia, ter convencido os dirigentes encarnados que a equipa precisava de Balboa... 

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