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A campanha para a presidência do Sporting está a ser uma boa chachada. Ou, como aqui escreveu ontem Nuno Farinha, falta-lhe pimenta. O primeiro debate, na SIC Notícias, parecia um encontro entre dois amigos ao lado de um excêntrico. Isso não é mau, é apenas estranho. E um pouco confuso para os sportinguistas que querem votar: como decidir em quem?
Estes salamaleques parecem demonstrar entendimentos que desconhecemos. Bruno de Carvalho não parece um homem de taticismos, mas de espontaneidades. E José Couceiro fala com esclarecimento mas também com uma falta de entusiasmo surpreendente.
Toda a gente sabe que Carlos Severino é um simpático número três mas ninguém sabe quem será o número 1 e o número dois da contenda. Carvalho e Couceiro falam como se tivessem assinado um pacto de não-agressão, o que faz um enorme contraste com as últimas eleições, em que a agressividade variou entre a degradação do clube e a infantilização dos temas.
Carvalho e Couceiro estão demasiado “empatados” para não extremarem o seu discurso e correrem riscos. Este ambiente de bonomia ou é tática de quem não quer cometer erros e pisar em ramo verde, ou está a guardar trunfos para o final – ou então ambos sabem mais do que pensamos e não se agridem para não afugentar potenciais investidores ou credores, com que eventualmente já estão conversados. Porque a pergunta básica continua a ser a de saber quem perdoa dívidas e quem investe capital para evitar a derrocada final do clube.
No próximo debate televisivo veremos se há cartas na manga ou se as eleições prosseguem entre dois candidatos que, no fundo, falam como se fossem o mesmo, pois pouco diferencia a substância do discurso de cada um. Ter debates mornos num clube que escalda é até uma posição construtiva. Mas... quem diria?