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O futebol faz-se de emoções e desfaz-se com emoções. Toda a gente tem opinião. O irracional é normal. E quem lá anda está na berlinda. Não é defeito, é característica. Mas o caldo entorna-se demasiadas vezes. Até porque se a capacidade de fazer uma crítica é grande, a disponibilidade para a ouvir é por vezes minúscula.
Já todos tiraram a pele à prestação da Seleção no Europeu. Também aqui arranquei a pele das unhas há uma semana: face às baixas expectativas e ao facto de Portugal ter apenas 10 jogadores para jogar o campeonato (ponta-de-lança e banco eram fracos), o resultado de Portugal foi extraordinário. Só saímos aos pés de quem seria campeão – e nos penáltis. Espanha é Espanha: nós agigantámo-nos, eles são gigantes.
As críticas sucederam-se. Mourinho criticou o modelo de jogo de Espanha. Paulo Bento desforrou-se de Manuel José e de Carlos Queiroz, acusando-os de comportamento incorreto e não ético. Bento cometeu, já agora, o erro que também eu cometi há uma semana, “fundindo” as duas críticas numa. Elas não foram iguais: Manuel José criticou o vedetismo de uma seleção sempre-em-festa fora dos treinos; Queiroz criticou o afunilamento da equipa em Ronaldo como solução única de jogo. São críticas diferentes e, pelo ensacamento, peço desculpa aos visados. A crítica de Queiroz foi inoportuna, porque vem de um ex-selecionador, mas o céu não pode desabar só porque se quebra o unanimismo, somos todos mais que raminhos de salsa. Aliás, não censurámos Mourinho por quebrar o unanimismo em Espanha.
Mesmo quem diz que menos que ser campeão é pouco reconhecerá que o Europeu foi mais sucesso que fracasso para Portugal. É bom que guardemos essa recordação de 2012. E que não tratemos a Seleção como se tivesse acabado de sair de Saltillo.