Rivais sem ambição

Camacho diz que a bola não quer entrar na rede contrária e Paulo Bento prossegue a sua cruzada contra os árbitros. Quem ouviu os técnicos de Benfica e Sporting no final do embate da Luz pode ter ficado com a ideia que só a falta de sorte ou a interferência irregular de terceiros obsta a que os dois emblemas da capital não estejam perto do campeão FC Porto na pauta classificativa. Quando ainda só se realizaram meia dúzia de jornadas na Liga, águias e leões estão, de facto, cada vez mais atrasados numa corrida que, se calhar, não vai ser a três, nem a dois. Mas, sejamos honestos, isso acontece por culpa própria e porque os portistas, jogando bem, mal ou assim-assim, somam por vitórias os desafios disputados.

O espanhol que sucedeu a Fernando Santos está certo quando diz que a sua equipa não tem estado bem na finalização. Mas, que faz ele para tentar ultrapassar a situação? Deixa Nuno Gomes jogar 90 minutos? Não! Dá oportunidade a Cardozo para se adaptar a uma nova realidade e recuperar a confiança entretanto perdida? Não! Junta os dois dianteiros de início ou no decorrer de um jogo que está empatado e que a equipa precisa de vencer? Também não! E, repare-se, esta gestão não foi exclusiva do duelo com o Sporting. Em Braga foi rigorosamente igual, também aí com o toque de classe de ver as águias a realizarem substituições no último minuto para queimar tempo...

PUB

Paulo Bento, que até viu a sua equipa dominar a primeira parte do duelo com os encarnados, também se esqueceu, na segunda metade, de procurar o triunfo. Em condições normais, um empate na Luz à sexta ronda até podia ser encarado como um desfecho positivo. O problema é que, tendo em conta o que sucedera nas rondas anteriores, o Sporting também não podia contentar-se com a igualdade. Será que ainda há gente que não percebe que a diferença entre a derrota e o empate é 1 ponto, mas que da igualdade para a vitória distam 2? Na época passada, os leões jogaram de igual forma na Luz. Deram um passe decisivo para terminar à frente das águias e assegurar a entrada directa na “Champions” mas, para mim, também hipotecaram a possibilidade de chegar ao título...

Concordo que o clássico foi disputado com intensidade, mas discordo, em absoluto, que as duas equipas tenham feito tudo para vencer. É verdade que, aqui ou ali, uma bola podia ter entrado e a esta hora alguém estaria mais perto dos dragões, mas creio que ninguém merecia essa sorte.

No meio de tudo isto, como não poderia deixar de ser, chovem críticas ao trabalho da equipa de arbitragem. É sempre mais fácil ir por aí. Pedro Henriques, é verdade, cometeu erros, alguns graves, mas não creio que tenha sido por isso que as duas equipas deixaram de vencer. Aliás, segundo a minha análise, também nos deslizes relevantes existiu um empate, pois só vi duas penalidades. A pretensa mão de Katsouranis não me parece falta (o facto dos jogadores do Sporting não terem protestado reforça a minha ideia), embora considere que o juiz não geriu bem a situação.

PUB

Em resumo, a cada jornada que passa os rivais de Lisboa ficam cada vez mais longe do FC Porto. O estranho é que nem isso parece motivá-los a arriscar o que quer que seja. Sobre isso, gostava que Camacho e Paulo Bento dissessem algo, mas duvido que tenha sorte...

Deixe o seu comentário
PUB
PUB