Opinião
Vítor Baía Antigo internacional

Rivalidades

Os duelos entre grandes equipas são, um pouco por todo o Mundo, aquilo que verdadeiramente alimenta o futebol em cada país. Os dérbis, os clássicos, as rivalidades de dimensão internacional, nacional ou até mesmo regional, fazem com que os adeptos vivam o futebol de uma forma apaixonada. É nesses jogos que os adeptos se sentem verdadeiramente parte da sua equipa, apoiando, sofrendo, vencendo ou perdendo, sentindo as glórias da vitória ou as frustrações da derrota. Sabem que, no dia seguinte, com os colegas no trabalho ou entre amigos no café, o resultado do jogo será motivo de conversa. As brincadeiras jocosas e as provocações (mais ou menos maldosas) fazem com que um dérbi ou um clássico se prolonguem muito para lá do dia do duelo. Porque as rivalidades, as grandes e verdadeiras rivalidades, são mesmo assim. Têm o poder de se apoderar das nossas vidas. Mas isso não quer dizer que seja legítimo ultrapassar certos limites.

As nossas vitórias são e serão sempre mais valiosas se forem alcançadas frente a grandes rivais. Os nossos méritos são e serão sempre maiores, quanto maiores forem as qualidades dos nossos rivais. E a nossa grandeza é e será sempre medida em função da forma como nos comportamos perante a vitória e perante a derrota. Perante a boa fortuna e perante a adversidade. Mas acima de tudo, somos e seremos sempre avaliados pela forma como respeitamos os nossos rivais. Os nossos adversários. Os nossos oponentes. Nunca nossos inimigos. No futebol isso não existe: inimigos. E quem não entender isto está e estará sempre a mais no futebol. Creio que não é difícil perceber o caminho que podem e devem seguir para corrigir o "circo" em que quiseram transformar a Liga Portuguesa na última semana. Haja decoro...

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Por Vítor Baía
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