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Ronaldo no trono do futebol

Muita conversa depois chega a notícia esperada: o Manchester United ignorou as chorudas propostas espanholas (e se calhar de outras paragens), avançou com números astronómicos e convenceu Cristiano Ronaldo a renovar por mais 5 épocas. Independentemente das questões económicas - 900 mil euros mensais (antigos 180 mil contos) é aquilo que vulgarmente chamamos de "balúrdio" -, penso que o internacional português tomou a melhor decisão profissional.

Mudar de ares para Espanha, para clubes afamados em todo o planeta e recheados de história, não seria, claro está, um passo atrás na carreira. Contudo, nestas coisas do futebol, já todos observámos um sem número de situações que tinham tudo para dar certo e acabaram envoltas em polémica. E isso não afectou somente jogadores de segunda linha. Muitos craques deram verdadeiros pontapés na sorte ao arriscar mudanças de rumo.

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Por vezes, não basta ter qualidade técnica para um futebolista (ou um profissional de qualquer outra modalidade) se impor num clube. Há que conseguir "encaixar" com os novos companheiros, treinadores, dirigentes e adeptos. E entrar sem choques no esquema táctico, na filosofia de jogo, na chamada mística própria de cada emblema. E não se pode esquecer o que acontece fora do relvado. A Espanha está aqui ao lado, mas possui cultura diferente de Portugal ou Inglaterra. E há outro clima, alimentação, idioma, hábitros e tradições. Ronaldo, acredito, seria capaz de se moldar a tudo isso (já o fez em Manchester e quando era apenas um adolescente a despontar), mas permanecendo no United escusa de dispersar atenções. Só tem de estar concentrado para poder exibir todo o seu tremendo arsenal técnico.

Num clube onde é idolatrado por todos e onde ganhará ao nível dos melhores (com prémios e verbas oriundas da publicidade galgará posições entre os desportistas mais bem pagos), o prodígio madeirense vai, rapidamente, trilhar o curto caminho que o separa do trono do futebol mundial. Nesta altura - e não sou só eu que o defendo -, já faz parte de um lote de 5-6 estrelas que merecem a aprovação dos adeptos mais exigentes. Mas, beneficiando da estabilidade de um clube onde os treinadores podem desenvolver tranquilamente o seu trabalho mesmo quando os resultados, por esta ou aquela razão, não aparecem, Ronaldo vai crescer o que lhe falta para, num espaço máximo de 2-3 anos, ser coroado como melhor futebolista mundial.

Ferguson e Queiroz têm motivos para sorrir. O menino bonito não vai fugir. Agora, estão reunidas todas as condições para o United começar a capitalizar o investimento. O título europeu, inglês e a Taça britânica estão no horizonte. Vamos ver é se os portugueses que labutam no Chelsea londrino estarão pelos ajustes. Aguardemos..., sendo certo que o futebol luso vai continuar a marcar pontos. Não são só os emblemas cá do burgo que nos enchem de orgulho. Lá for fora anda muita gente de qualidade a levar bem alto o nome de Portugal. Continuem assim!

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