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Após tantos avanços e recuos, parece que, desta vez, Cristiano Ronaldo vai mesmo deixar o Manchester United e transferir-se para o Real Madrid. A troco de "qualquer coisa" em torno de 95 milhões de euros!!! Parece mentira, mas é verdade, o colosso espanhol vai desembolsar uma verdadeira fortuna para, dias depois de anunciar a aquisição do brasileiro Kaká, juntar mais um futebolista de eleição à tradicional lista de galácticos com que o líder Florentino Pérez gosta de vincar as suas passagens pelo comando do clube.
Ronaldo nunca escondeu, em público e privado, que desejava jogar em Espanha e mais concretamente no famoso emblema da capital. Chegou mesmo a exagerar na forma como se disponibilizou a mudar de ares. Disse-o na altura e repito agora: revelou falta de respeito pelo clube que o ajudou a chegar a melhor jogador do Mundo e, ao mesmo tempo, equiparou-se a atletas de menor dimensão, manifestando um entusiasmo desmedido com a possibilidade de o negócio se concretiar. Até parecia se esquecer que alinhava no campeão inglês e... europeu.
Desta vez, Ronaldo adoptou uma postura mais inteligente. Ficou quieto e calado à espera das negociações. Tendo contrato com o United só podia ser assim. Só a partir do momento em que os ingleses declarassem estar dispostos a vender é que o acordo poderia avançar. Foi isso que sucedeu esta quinta-feira.
E se poucos serão aqueles que podem manifestar-se surpreendidos com a realização do "casamento", a maioria dos analistas não esconde a indignação com os valores envolvidos. Estamos a falar na transferência mais cara de sempre no futebol: algo em torno dos 95 milhões de euros! Ainda por cima num período em que o mundo se debate com uma crise financeira que parece não ter fim.
"Vale Cristiano Ronaldo tanto dinheiro?", é a pergunta que se ouve por todo o lado. Desconheço! Apenas posso garantir que o madeirense é um dos melhores executantes do planeta o que, por extensão, determina que seja um dos mais valorizados. Se a isso correspondem 60, 80 ou 95 milhões de euros...não sei. Mas, tal como uma casa, carro ou terreno, o passe de um futebolista vale exactamente o que alguém está disposto a dar por ele. E neste caso em concreto, o Real Madrid considera que o preço é justo. Quem sou eu para discordar? O que me interessava saber - tal como já manifestaram os rivais do Barcelona - era a forma como Florentino inventa dinheiro para patrocinar tantas excentricidades. E logo umas atrás das outras...
Resta aguardar agora para ver como Ronaldo se adaptará ao futebol espanhol. Desportivamente, não creio que possa existir problema. Quem é (muito) bom consegue jogar bem em qualquer campeonato, nesta ou naquela equipa, diante o adversário A ou B. Menos prevísivel é saber a forma como o internacional português vai conviver com a concorrência interna. Em Madrid, tal como em Manchester, o português terá de conviver com o peso de um plantel recheado de estrelas. Só que, em cima dos seus ombros, estará o peso de uma transferência única e um ordenado condizente. Mais do que estar preparado para engatar grandes exibições, coroadas com golos e assistências, o extremo será o alvo de todas as atenções quando algo não funcionar.
Ronaldo vai cumprir o sonho de jogar no Real, mas terá de estar sempre atento para perceber que, em Espanha, o pesadelo não estará assim tão distante. E se dentro do campo, é verdade, nem tudo dependerá dele, pois uma equipa não vale exactamente a soma dos respectivos valores individuais, espero que fora das quatro linhas não se distraia em demasia. Madrid não é propriamente o local mais apropriado para um dos solteiros mais desejados no mundo andar à solta...