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O futebol é do outro mundo. Às vezes, é apenas ilusionista, cria ilusões de grandiosidade em jogos fracos. Jorge Jesus padece desta ilusão quando diz ter visto uma grande exibição do Benfica contra o Chelsea que mais ninguém viu. Outras vezes, o futebol é mesmo mágico, como aconteceu com o Sporting contra o Manchester City. Como será hoje contra o Metalist? Sá Pinto já marcou a altura a que quer saltar: “Exigir o máximo, honrar o clube.”
Sá Pinto está a ter o seu estado de graça. Tê-lo-ia sempre, por tolerância, mas tem-no sobretudo porque o conquistou contra o City. O combate que seria o inferno acabou no céu. E, com instinto felino, usou essa vitória não para vender sonhos aos adeptos mas para exigir compromisso aos jogadores.
Ontem, o primeiro-ministro de Portugal, um país que está muito pior que o Sporting, deu uma entrevista à TVI. Esteve quase uma hora a falar do “tem de ser”, do “vamos cumprir” e do “não há alternativa”. Foi incapaz de mover um alma ou enunciar um gesto de mobilização e convocatória de um povo. Talvez Passos Coelho devesse ter visto horas antes a conferência de imprensa de Sá Pinto, que exaltou um “clube centenário e respeitado”, o que “os jogadores sentem e não temem”, sendo-lhes exigido “sentido profissional”, que saibam o que valem e o que não valem. Um discurso de missão, crença e garra.
Sá Pinto está a ir buscar ao baú de Alvalade a veia dos momentos históricos. Foi com essa magia que um Sporting aniquilado em Portugal foi capaz de pôr os batimentos cardíacos de novo acelerados na Europa, num sopro que talvez seja efémero mas que enleva a massa associativa. E a vida das pessoas também é feita disso, de enlevo. O que Passos Coelho, aliás, devia perceber em relação ao “seu” balneário, que somos todos nós. Sá Pinto ainda vai a ministro.