Sá Pinto e o Sporting

Sá Pinto e o Sporting

Vítor Pereira está a um passo de se sagrar campeão nacional, já começa a sentir-se a cobrança sobre Jorge Jesus, Leonardo Jardim deixou fugir uma oportunidade de ouro para figurar no lugar mais alto do pódio, superando a marca que Domingos Paciência havia pulverizado em Braga, mas é o treinador que está mais distante do título, a 13 pontos da liderança, aquele que paradoxalmente merece os maiores elogios: Ricardo Sá Pinto (RSP). Porque pegou numa equipa que se encontrava em clara “crise de confiança” (a 16 pontos do 1.º lugar) e conseguiu dar-lhe ordem, rigor, capacidade competitiva e algo que estava distante do futebol do Sporting: “amor à camisola”, isto é, identificação entre os jogadores e a “bandeira” do sportinguismo. É pouco, para além daquilo que ainda possa fazer na Liga Europa e na Taça de Portugal? É o suficiente para se poder afirmar que RSP ganhou, por mérito próprio, o direito a uma nova oportunidade e acalentar a esperança de se colocar, no plano dos treinadores, entre as maiores promessas do futebol português.

Os mais desconfiados sobre os méritos de RSP dirão que ainda é cedo. Dirão, acima de tudo, que ainda não ganhou nada. Em absoluto, verdade. Mas há dois momentos em que a influência positiva do treinador do Sporting se revelou de forma clara: no jogo de Alvalade com o Manchester City e na recente noite do dérbi, com o Benfica. Em ambas as partidas, os futebolistas do Sporting bateram-se como leões, dando tudo o que tinham para dar. Precisamente à imagem de Sá Pinto enquanto jogador.

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Mas não é apenas a renovada atitude competitiva dos atletas que merece ser creditada em abono do técnico leonino. É a sua própria “transformação”, na antítese do vulcão que era Sá Pinto como avançado dos leões. Só uma equipa serena, perfeitamente concentrada nos seus objectivos, a partir de uma estratégia delineada com inteligência, conseguiria sair incólume dos confrontos com o Manchester City e o Benfica.

Seria fácil a derrapagem. Mas, quer nos momentos mais felizes, quer nos menos felizes (Setúbal e Barcelos), RSP soube manter a postura e o discurso, sem deslumbramentos nem depressões. Depois de tudo o que lhe acontecera na carreira, como jogador e dirigente, mais um passo em falso seria fulminante.

Quando Godinho Lopes decidiu prescindir de Domingos Paciência, sabia que RSP era uma aposta de risco. Tratava de uma opção de proximidade, barata, a colher a simpatia das “bases” leoninas. O Sporting precisava de se livrar das amarras de um elitismo interesseiro, de uma pobre fidalguia que se reclamava sportinguista sem dar nada em troca, a não ser arrogância, vaidade e... despesa. O Sporting precisava de “baixar ao relvado” e, com RSP, foi possível reencontrar a raça e a mística. Pode ser por momentos (o maior desafio do SCP é outro...), mas este “intervalo” faz recordar que, no seu ecletismo, o Sporting vale acima de tudo pela equipa de futebol e não pelos “golpes palacianos” que a certa altura passaram a fazer parte da sua (nobre) história.

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NOTA – Depois de Rui Costa ter elogiado André Villas-Boas, vamos continuar a ouvir os responsáveis do FC Porto a elogiar Jorge Jesus?!...

NOTA 1 – Mais suspeitas de corrupção no futebol português. O Apito Dourado não fez a purga que era necessária. A montanha vai parir mais um rato?...

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