Quando o Sporting, contrariando as previsões dos próprios adeptos (nomeadamente a enorme legião que torceu o nariz à contratação de Carvalhal), começava a ganhar jogos, a melhorar o nível exibicional, a estabilizar futebolística e emocionalmente... Sá Pinto e Liedson resolvem pegar-se ao murro!
Tive dificuldades em assimilar a ideia. Episódios envolvendo futebolistas do mesmo clube, no decorrer de treinos, são corriqueiros, mas não é habitual ver o director do futebol "enrolado" com o principal ponta de lança. Ainda por cima após um jogo que, pese o sofrível 4-3, terminou com a vitória do Sporting!
Segundo vários relatos, o desaguisado começou aquando do segundo golo do Mafra. Rui Patrício cometeu um erro grosseiro que, naturalmente, não agradou aos adeptos. Ainda assim, digo eu, eram escusados os apupos. Se o jovem guarda-redes só der "frangos" quando a equipa estiver a vencer por 4-1 a 10 minutos do final... ninguém deve ficar preocupado.
Dando de barato que Liedson possa não ter sido delicado na forma como reagiu às críticas ao companheiro - não faço ideia se foi isso que aconteceu -, a verdade é que ele fez o que competia ao director do futebol. A menos que Sá Pinto não estivesse no lugar para defender o grupo, os futebolistas, mas sim para funcionar como representante dos adeptos, nomeadamente da Juventude Leonina que sempre o venerou.
A esse propósito, aliás, nunca percebi a adoração desmedida que muitos sócios leoninos nutrem por Sá Pinto. Foi um bom jogador, um guerreiro dentro do campo mas, objectivamente, apenas ajudou a conquistar um campeonato, uma Taça de Portugal e duas Supertaças. Pelo currículo, o clube deveria enaltecer dezenas de futebolistas antes de chegar a ele. Ainda por cima, nem sequer estamos a falar de um homem da casa. Para quem não sabe - ou já se esqueceu -, Sá Pinto começou pelos iniciados do FC Porto, mas foi no Salgueiros que se fez jogador. Aquando da mudança para o Sporting já tinha feito três temporadas nos seniores do popular clube de Paranhos.
Na qualidade de jogador, pese o seu inquestionável talento e espírito de sacrifício, Sá Pinto ficou conhecido por ter agredido Artur Jorge. Agora, como director do futebol, por ter feito o mesmo a um atleta do seu próprio clube. Arrisco dizer que já terminou a sua experiência como dirigente. Aliás, não concebo que alguém lhe dê trabalho no mundo do futebol. É que já se viu que ele não tem emenda. Pior: é um mau exemplo.
PS - Aguardo, ansiosamente, o comentário de Bettencourt a propósito deste triste "filme". E também gostaria de ouvir Paulo Bento a falar sobre o tema...