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Contrariando a recente aposta em treinadores estrangeiros (Camacho, Trapattoni e Koeman), o Benfica optou, agora, por confiar os destinos da sua principal equipa de futebol a um técnico português.
Fernando Santos foi então um escolha surpreendente. Essencialmente porque não era um nome falado com grande insistência na comunicação social. As apostas mais mediáticas apontavam no sentido de Eriksson, Zaccheroni ou Carlos Queiroz, técnicos que, sem desprimor para Santos, são mais experientes, possuem passagens por emblemas mais cotados e, fundamentalmente, apresentam um currículo mais rico.
Por outras palavras, pode dizer-se que a maioria dos adeptos encarnados foi apanhada de surpresa. E não aprova, pelo menos com um sorriso nos lábios, a decisão de Vieira e Veiga. A menos que perceba, quanto antes, que a opção por um treinador mais económico significa uma maior concentração de verbas na aquisição de verdadeiros reforços para a equipa.
A seu favor, Santos tem o facto de ser português (o que lhe permite conhecer bem não só os jogadores do plantel, mas também o clube e a Liga, algo que, por exemplo, Koeman não dominava), de gozar da fama de trabalhador sério, de estar habituado a conseguir bons resultados (mesmo quando não tem à sua disposição grandes recursos financeiros) e de evidenciar uma confiança enorme nas suas capacidades, algo que não se cansou de exibir durante a apresentação na Luz.
Mas, Santos tem ainda algo mais: é benfiquista assumido. Depois de Toni, o clube da águia volta a apostar num homem que, para além de ter a responsabilidade de gerir a equipa, é um associado, um adepto.
Santos vai ser obrigado a conciliar a razão com a emoção, sabendo, antecipadamente, que precisa, rapidamente, de conquistar os seus consócios. Construir uma equipa forte, que pratique bom futebol e que ganhe a maioria das partidas é, desde já, o seu desafio. Só que o espaço de manobra não é grande. Lograr a qualificação para a Liga dos Campeões é obrigatório. Não só pelo dinheiro que está em causa, mas porque esse será o grande teste de admissão ao clube. O técnico sabe, desde já, que os seus primeiros jogos oficiais ao serviço do Benfica são... duas finais. E só conseguindo vencer terá tempo e descanso para poder encarar com serenidade a temporada 2006/07.
Não sentindo, para já, os adeptos todos do seu lado, Santos precisa de ser rápido a conquistá-los. Resta saber se, ao contrário do que diz a sabedoria popular, Santos da casa... vai ser capaz de fazer milagres.