Scolari continua nervoso

Ainda o País estava entretido a comentar a saída de José Veiga do Benfica e já novo tema "cabeludo" surgia no futebol português, agora envolvendo Scolari e Carlos Queiroz. Honra seja feita ao pontapé na bola lusitano: há sempre alguém disposto a protagonizar mais uma polémica. Que indústria tão activa que não pára de produzir "filmes" em série. Mais parece um estúdio cinematográfico de Los Angeles ou Nova Iorque...

Este "guerra" de palavras entre o seleccionador nacional e o adjunto do Manchester United é, antes do mais, perfeitamente absurda, o que equivale a dizer que podia e devia ter sido evitada. Mas, infelizmente, não foi isso que aconteceu, ao ponto das principais agências de informação internacionais já terem dedicado várias notícias à polémica. Fica o futebol português a ganhar com isto? Claro que não! Tal "peixeirada" dignifica os envolvidos? Ainda menos...

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Queiroz, até pelo facto de já ter sido seleccionador (de Portugal e não só), devia ter tido uma abordagem diferente da questão. Dizer que os jogos internacionais provocam uma sobrecarga física em atletas tão "espremidos" quanto o jovem prodígio madeirense é algo que tem de se aceitar (porque é verdade ou porque compete a todos os assalariados defender os interesses de quem lhe paga). Mas, daí a sugerir que o jogador não devia actuar com o Cazaquistão vai uma enorme distância. O departamento médico da Federação Portuguesa de Futebol, bem como o futebolista (que mal aterrou em Lisboa afirmou estar em condições e desejoso de jogar), é que devem decidir isso. E se quem está habilitado para avaliar as capacidades físicas dos artistas considera que tudo está bem, depois só o treinador, por mera opção, pode excluir este ou aquele.

Após o desaire na Polónia, já para não falar do empate na Finlândia, Scolari sabe bem que Portugal não tem muita margem para errar. Falhar a qualificação para o Euro'2008 seria catastrófico para quem, corajosamente, admitiu que o objectivo passa por fazer melhor que em 2004. Ou seja: conquistar o título. Nesse sentido, poupar atletas decisivos como Ronaldo diante do Cazaquistão seria um disparate. E se é verdade que os asiáticos (um dia alguém me vai explicar o que é que eles fazem a competir na Europa...) não jogam muito, convém recordar que, já nesta "poule", sairam de Bruxelas com um 0-0 diante da Bélgica!

Mas, se Queiroz, repito, não foi muito feliz na sua intervenção inicial, a resposta de Scolari foi pior. O técnico brasileiro, caso tenha tido mesmo uma conversa privada com Queiroz, não a devia tornar pública. E se não a teve, conforme sustenta o português, então está a mentir, o que não é nada bonito. Scolari podia ter dito apenas o óbvio: na Selecção é ele que manda. Não é o Manchester United, nem o Chelsea, nem nenhum dos grandes cá do burgo. O assunto morria por aí. Mas, evidenciando mais uma vez algum nervosismo e falta de poder de encaixe para ser confrontado com críticas ao seu trabalho, resolveu adornar as declarações dizendo que Queiroz quer ser seleccionador.

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Scolari podia ter-se lembrado que Queiroz já desempenhou tal cargo. Devia imaginar também que se deve ganhar mais como adjunto do United do que como técnico da FPF, a menos que à verba oficial se possa juntar alguns "trocados" oriundos de patrocinadores. E podia considerar normal um técnico de futebol deslocar-se a um estádio para assistir a uma partida, nomeadamente quando existe alguma razão pertinente para o fazer. Mas não, ignorou tudo isto e acabou por ficar mal na fotografia.

Que se saiba, a Selecção Nacional não anda à procura de seleccionador, pois tem contrato com um. Mas, se alguns eventuais interessados surgirem a marcar posição, tal deve ser encarado com toda a normalidade. É que ainda recentemente foi o próprio Scolari a admitir que, caso Madaíl deixe a Praça da Alegria, também poderá partir...

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