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Afinal, ainda não foi desta. Portugal ficou-se pelos quartos-de-final do Euro'2008, cedendo perante uma Alemanha poderosa, é certo, mas que futebolisticamente não foi (nem é) superior à Selecção Nacional. Fomos nós quem jogou mais, quem mostrou melhor capacidade técnica, mas também quem falhou nos pormenores, nomeadamente naqueles que já se sabiam perigosos (as bolas paradas dos germânicos valem meio golo contra Portugal). E é por causa dessa tradicional tendência para cometer deslizes nos momentos de decisão que, mais uma vez, a equipa lusa deixou escapar uma excelente ocasião para tentar alcançar aquilo que desde sempre perseguimos: um grande sucesso internacional no escalão sénior.
Podemos lamentar o facto dos alemães, sem exibir um futebol de grande caudal ofensivo, terem conseguido marcar 3 golos. Mas, a história diz-nos que eles são mesmo assim. Apostar nos erros contrários é a sua arma preferencial. E perante esta actual Selecção, eles sabem bem que, a qualquer altura, acabam por nos enganar. Sempre da mesma forma...
Não sei como é que Scolari preparou o jogo. Acredito que, para além das mensagens escritas, houve mais. Mas, o que ficou evidente é que, dois anos volvidos, ainda não sabemos como eles jogam. Ou pior: sabemos, mas não os conseguimos contrariar. Já os alemães conhecem bem os nossos pontos fortes. E melhor ainda os fracos.
Numa equipa, de futebol ou qualquer outra modalidade, ganham e perdem todos. Mas, pele enésima vez, Ricardo mostrou que é um mau guarda-redes a sair dos postes. E num jogo de futebol há sempre muitos livres e cruzamentos. É pena. Penso que ele preferia penáltis. A maioria dos portugueses também pensa assim.
Nesta Selecção ficou bem claro ainda que Paulo Ferreira, sendo um jogador certinho, não pode - perante adversários cotados - actuar como lateral-esquerdo. Faltam-lhe rotinas, assim como um pé esquerdo de qualidade. O problema (e aí entendo Scolari) é encontrar alguém para o render. No Chelsea quero ver quantas vezes vai actuar nessa posição...
Com esta derrota fecha-se o ciclo de Scolari na Selecção. Um percurso interessante do técnico brasileiro, mas incompleto. Depois do desaire com a Grécia em 2004 (uma equipa vulgar como se comprovou agora), era preciso fazer algo mais em 2008. E o próprio, pese as palavras proferidas no final do encontro, sabe isso mesmo. Foi ele quem, antes da fase de qualificação, disse que este Europeu era para chegar mais longe que em 2004. Não conseguiu. Falhou.
Não sei se é só coincidência, mas desde o dia em que Scolari passou a dividir o seu tempo de antena entre as questões da Selecção e o seu próximo clube... não ganhámos um jogo. Pior: fizemos dois e perdemos ambos, sofrendo 5 golos. Não acredito que tenha sido esse anúncio o grande responsável pela eliminação de Portugal, mas ao contrário do que garantiu o técnico... isso não nos ajudou. Bem pelo contrário.
E já agora, a "novela" que Ronaldo alimentou, mais que não seja porque nada fez para acabar com ela, também jogou contra a Selecção. O prodígio madeirense não fez no Europeu aquilo que estava ao seu alcance, seguramente porque a cabeça não pensava só no Euro, embora o rapaz tenha garantido o contrário. E, claro, não foi o Manchester United, nem o Real Madrid, quem saiu prejudicado desta "embrulhada". Foi a nossa Selecção.
A terminar, uma última observação: do primeiro ao último jogo, Scolari foi fiel aos seus princípios. Alguns dos quais incompreensivéis. A saída de Nuno Gomes, com Portugal a perder e depois do capitão ter marcado, não se pode aceitar. Tal como é difícil perceber o porquê de não se apostar em dois avançados numa situação limite como é o caso de estar a perder numa partida a eliminar. Mas, enfim, há coisas que não mudam. Tal como Portugal falhar quando é melhor que o opositor ou os árbitros só verem os empurrões lusos e não os outros. Triste fado o nosso!