Era certo e sabido que a sanção que a Federação Portuguesa de Futebol iria aplicar a Scolari, na sequência do inquérito interno após o célebre soco (ou tentativa de) a Dragutinovic, não iria ter qualquer consequência prática. Depois do apoio público que Madaíl e seus pares deram ao treinador, logo após o sucedido, não podia ser de outra forma.
A confirmação chegou agora, com o anúncio de uma multa no valor de 35 mil euros. Não faço ideia se a verba em causa é justa ou se peca por escassa ou por defeito. Mais: nem tenho a certeza que a mesma seja paga. Como é que portugueses podem comprovar isso?
Mas é indiferente saber se o tal dinheiro vai ou não desaparecer do salário de Scolari, até porque mesmo que isso se verifique, continuará a receber muito e bem, o que equivale a dizer que essa multa não o incomodará minimamente.
O que me faz confusão é perceber a lógica adoptada pelos membros federativos. Primeiro, vieram a terreiro disponibilizarem-se para defender Scolari junto das instâncias internacionais. Amândio de Carvalho, por exemplo, protagonizou uma intervenção notável nas televisões, chegando ao ponto de afirmar que tinha sido importante o brasileiro falhar o soco no defesa sérvio.
Ora, se tudo não passou de uma exaltação normal e típica de um quente jogo de futebol, então porque razão vem agora a FPF aplicar uma multa de 35 mil euros ou 7 mil contos? Tinha sido mais coerente resolver o assunto com uma reprimenda. Assim, ficamos sem perceber se a atitude de Scolari foi considerada grave ou não. Madaíl disse, durante o anúncio do castigo, que a imagem da Federação tinha sido afectada. Concordo. Mas, dessa forma, se calhar a FPF devia considerar simpático o castigo da UEFA. 3 ou 4 jogos de suspensão não me parece uma medida pesada tendo em conta a multa de 35 mil euros...
Outro pormenor interessante: do castigo aplicado pela Federação consta também a obrigação de Scolari ter de participar em determinadas acções que a FPF considere essenciais. Mas, isso não devia já fazer parte das suas obrigações? Como funcionário contratado pela Federação, Scolari não estava já obrigado a participar em tudo o que Madaíl considerasse importante?
Outra dúvida: se Portugal tivesse tropeçado no Azerbaijão e/ou no Cazaquistão, a sanção seria a mesma? Duvido. Mas importante é que a Selecção esteja no Europeu. Para cumprir o objectivo traçado por Scolari de fazer melhor que em 2004, Portugal "só" tem de ganhar a prova. Eu acredito. E se tal acontecer, o seleccionador recuperará garantidamente os tais 35 mil euros...