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Luís Felipe Scolari deu ao meu camarada de redacção José Carlos Freitas uma entrevista em que sobressaiu, mais uma vez, a sua rara frontalidade. Cada vez me convenço mais de como foi perfeita a leitura que Gilberto Madaíl fez do perfil indispensável à função de seleccionador nacional e de como foi feliz no preenchimento do cargo. É verdade que a "corporação" que cerca o futebol português, na qual se inclui certa imprensa chauvinista, torceu o nariz à forte personalidade do técnico brasileiro. Tudo quanto girar em torno da equipa de todos nós dá polémica, sendo os detractores sempre em maior número do que os defensores - destruir é mais fácil do que construir. Imagine-se o que seria, em ano do Europeu de todas as esperanças, de um seleccionador nascido em Portugal, pressionado pelo seu clube, pelos futuros empregadores, pelos amigos, pelos conhecidos, pela mulher, pelo barbeiro, pelo senhor do café, pelos vizinhos e pelas primas... Não, Scolari é o homem certo para fazer o trabalho. E, se nos conseguir passar à segunda fase do Euro, devemos corresponder ao seu desejo e deixá-lo preparar o Mundial. O forrobodó acabou na Selecção. Enfim, uma casa arrumada. Portugal já não é mais o mesmo.
1. Tinga
Já está. Tinga chegou viu e venceu. Ajudado pelo nome, o novo brasileiro de Alvalade caiu não só no goto dos adeptos sportinguistas, que aguardam com expectativa a sua estreia de hoje, como ganhou a simpatia da comunicação social, ávida de novidades - como lhe compete - e que já fez do médio de além-mar uma autêntica estrela. Talvez todo esse entusiasmo galvanize o nosso Tinga na caneca e o moço traga ao Sporting tudo o que o grémio verde-e-branco espera dele. Até porque esse "tudo", ou seja, o eventual pegar de estaca do brasileiro permitiria vir a vender Custódio e realizar nova mais-valia para os cofres da SAD leonina. Perita em bons negócios, é verdade.
2. Conceição
A conhecida sagacidade de Pinto da Costa deu novos frutos: ficou sem Derlei, foi buscar Maciel (que já marcou) e Sérgio Conceição. Como se não bastasse a supremacia portista com os jogadores que tinha, mais dois futebolistas de boa craveira ficaram à disposição de José Mourinho. Com outras vantagens: sabe-se que não têm lesões musculares jogo-sim, jogo-não, nem passam a vida a caminho das selecções dos seus países. Aliás, essa é ainda uma esperança que Sérgio Conceição não perdeu: ser convocado para a Selecção, mesmo que Scolari não faça muito o género do homem que muda de opinião com duas cantigas. De qualquer modo, Sérgio vai ter de dar o litro e o Porto é que fica a ganhar. Como sempre...
3. João Alves
Fácil não deve ser, quando não qualquer badameco se armava em treinador e se punha por aí a arengar junto à linha lateral. Mas sempre me interroguei porque motivo há treinadores que não nasceram estrelas e têm sucesso - Manuel Cajuda, José Mota, Carlos Carvalhal, Carlos Brito ou Luís Campos -, enquanto outros, que passearam a sua classe pelos campos da bola, não foram depois bafejados pelos deuses - casos de Manuel Fernandes, Carlos Manuel, Rui Águas, Pedro Gomes ou Fernando Chalana. E de João Alves, que depois de um último brilharete (em Belém) nunca mais encontrou a estrelinha que protege os vencedores. Porquê? Que estranha maldição o persegue?
4. Augusto Inácio
O tempo e os recursos financeiros perdidos pela SAD do Belenenses com a inacreditável contratação do "ovni" Bogicevic não fazem parte do futebol dos nossos tempos, mas de uma forma completamente ultrapassada de gerir um clube. O mal começou, é um facto, quando despediram Marinho Peres só porque à terceira época consecutiva no Restelo o técnico brasileiro não iria conseguir as meritórias classificações anteriores. A escolha de Manuel José foi correcta, faltou apenas a sorte - até com o apelo vindo do Egipto - e, quando assim é, pouco há a fazer. Mais uma razão para que tivesse sido contratado há dois meses um treinador português, decisão agora tomada e da qual só se pode dizer que mais vale tarde do que nunca. Não, pode ainda acrescentar-se que a chamada à actividade de Augusto Inácio é a melhor escolha - para mal do Record, que tinha acabado de o incluir (e com muito orgulho) na sua equipa redactorial. A cotação do técnico que deu ao Sporting o primeiro título de campeão nacional ao cabo de 18 longos anos justificou tanto o convite de Record como a opção agora tomada pelo clube de Sequeira Nunes. Pede-se apenas a Inácio que deixe obra no Restelo, já que fazer melhor do que o infeliz "Bogi" isso fará com toda a certeza.
5. Júlio César
Incrível é o mínimo que se pode dizer do facto deste craque - e goleador! - brasileiro do Estrela da Amadora não ser "requisitado" por emblemas de maior brilho. Não tivesse ele alinhado anteontem na Reboleira e lá estaria o Estrela vergado ao peso de nova derrota e, o que não seria menos relevante, o Belenenses "obrigado" a manter a desgraça Bogicevic. Este é um dos males do futebol português, contra os quais tem lutado, com tanto êxito, o clã Loureiro - o do mau aproveitamento dos jogadores de segunda linha, muitos ainda por cima baratos, para se ir ao estrangeiro pagar balúrdios por um coxo qualquer. Para onde irá Júlio César? Na Amadora, não é crível que fique muito tempo.
Perguntas leva-as o vento...
1. Por que será que o andebolista internacional Rui Silva não renova o contrato com o Sporting?
2. Quem foi o ministro que recusou responder aos jornalistas na cerimónia de assinatura dos contratos-programa para os Jogos Olímpicos de Atenas?
3. Quem é a personalidade do mundo desporto que convidou duas jornalistas que o entrevistavam para almoçar e se "esqueceu" do repórter-fográfico que as acompanhava?
4. Quem é o presidente de um grande clube português que anda a pedir aconselhamento económico e o consequente apoio financeiro a um sportinguista de uma conhecida entidade bancária?
O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...