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O Sporting já perdeu o ano. Já perdeu a hipótese de alcançar os resultados desportivos almejados, passando a ter como prioridade sufocante lutar por estar presente nas competições europeias no próximo ano. Mas, sobretudo, já perdeu a hipótese de salvar o ano financeiro. E isso é muito mais grave do que parece.
Godinho Lopes tinha desenhado um plano de sonho para este ano, em que os custos desceriam, as receitas disparariam e um investidor, ou conjunto de investidores, limparia parte do passivo. Mas o Sporting caiu da cama: esse sonho está a caminho de um enorme fracasso. Porque sem resultados desportivos e com uma recessão económica, esperar que o Sporting consiga quadrar a bola da sua salvação financeira é como esperar que a economia portuguesa cresça 5% em 2013. Era bom, mas não dá.
O descalabro desportivo matou as hipóteses financeiras do clube, cujas receitas não dão hoje para cobrir os custos mensais. Por isso, ou a banca dá mais crédito (e só se o BCP e o BES, os maiores credores de Alvalade, andassem à larga é que poderiam fazê-lo) ou pode ter de dar... um perdão da dívida. Claro que não se chamará perdão, terá nome de reestruturação ou renegociação. Mas o caso é este: se o investidor aparecesse, o Sporting Clube de Portugal poderia perder a maioria do capital da SAD, o que seria muitíssimo polémico, mas reduziria a dívida. Se o investidor não aparece – e não há meio de ele aparecer –, é preciso passar ao plano B. E não vejo como é possível desenhar um plano B que não passe por uma reestruturação da dívida bancária. A não ser que se ative o plano C, que é partir o clube aos bocados e vender os pedacinhos.
A temporada vai ficar na história do Sporting por más razões. O incumprimento bancário possa ser mais uma delas. Há perdão para o Sporting?