As críticas de Rui Gomes da Silva à estrutura do Benfica são, obviamente, críticas a Luís Filipe Vieira, ainda que o vice-presidente garanta que não. A derrota humilhante face ao Sporting, três secos no bucho na Luz, bem custaram a engolir aos benfiquistas - e serviram para quebrar a unanimidade no clube.
Acontece que a unanimidade sempre foi mais aparente do que real. Porque tirando o caso de Domingos Soares de Oliveira, o responsável pelas finanças do Benfica, Luís Filipe Vieira não passa cartão a ninguém. Não apenas por ser centralizador na sua gestão, mas por não contar de facto com os demais gestores. Um caso exemplar é o de José Eduardo Moniz, que tirando a inutilidade da passagem pela Ongoing, sempre foi um líder de projetos decisivo. No Benfica, só deve decidir o que vai comer ao almoço. Porque Vieira terá querido tê-lo parado ao seu lado apenas para não o ter agitado contra si.
É duvidoso que a estrutura do Benfica se tenha aburguesado, como diz Gomes da Silva. O que falta são os jogadores que teve. Basta olhar para o banco. E o responsável talvez seja o banco, mas outro, o que financiou o Benfica e agora quer o dinheiro de volta, por já não haver tanto milho para pardais. Condenado a vender jogadores para reduzir a dívida, o Benfica desfalcou-se.
No futebol, são os resultados desportivos que embalam os líderes. Mas a pressão financeira que vai permanecer e os resultados na Liga que tardam em aparecer vão tocar quem até aqui era intocável, Luís Filipe Vieira. Os desabafos de Gomes da Silva podem ter sido só o início.
Por Pedro Santos Guerreiro