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Sem medo de arriscar

Sem medo de arriscar

O maior risco que se pode correr no futebol é ter medo de arriscar. Tem de se acreditar que é possível ir mais longe e ter capacidade de superação. É isto que faz os campeões e que lhes incute mentalidade ganhadora. Leonardo Jardim não teve receios e surpreendeu ao mudar a tática na Luz, alinhando com dois avançados. Não foi feliz. Mas não é por isso que vai perder o crédito que ganhou pelo excelente trabalho que tem feito até agora.

Neste campeonato, em função dos recursos desportivos e financeiros, o Sporting teria sempre de ser visto como um outsider na questão da luta pelo título, já que possui menos recursos em quantidade e qualidade do que Benfica e FC Porto. Por outro lado, depois de uma época para esquecer, este teria sempre de ser um ano zero para os leões, capaz de lançar as bases para um trilho de maior sucesso.

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Leonardo Jardim foi capaz de fazer mais. Ciente das limitações, reuniu um grupo de jogadores talentosos com potencial de valorização e formou uma equipa aguerrida e organizada, onde cada elemento sabe o que tem de fazer dentro de campo. Além disso, deu outra dimensão ao futebol de jogadores como Cédric, Rojo, Jefferson, Adrien e André Martins, e ainda cometeu a proeza de descobrir uma pérola que parecia perdida em empréstimos pela Bélgica, William Carvalho, um dos jogadores mais valiosos da Liga portuguesa.

Apar do menor fulgor de águias e dragões nesta liga, em comparação com as épocas anteriores, o Sporting cresceu e conseguiu equilibrar forças com os rivais e não é por acaso que neste momento tem, juntamente com o FC Porto, o melhor ataque e a melhor defesa da Liga. Há muito mérito na forma como Leonardo Jardim conseguiu colocar o Sporting a disputar os lugares cimeiros. É bom não esquecer que há cerca de um ano, por esta altura, os leões estavam a quase 30 pontos de distância do topo.

No dérbi da Luz, vimos um Sporting muito distante do que tem feito. Perante um Benfica em crescendo, de forma e confiança, os leões apresentaram-se fragilizados pela ausência de duas peças essenciais no seu puzzle: Jefferson e William Carvalho. Mesmo assim, o treinador leonino apostou na vitória. A equipa esteve em dia não. Mas quantos treinadores teriam a coragem de se apresentarem na casa do Benfica com dois avançados? Poucos.

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O adiamento do jogo acabou por esvaziar um pouco da surpresa tática que o Sporting tinha reservado para o Benfica, alinhando com Slimani, Montero e Heldon. O técnico madeirense poderia ter voltado à estratégia habitual, mas mostrou-se firme nas suas convicções de que a opção certa seria jogar olhos nos olhos com o Benfica. Faltou-lhe meio-campo (William).

Jardim pode ainda não ter ganho nenhum jogo a Benfica e a FC Porto, mas a mensagem que está a passar ao plantel é a mais correta: têm de acreditar que é possível vencer, jogando de igual para igual. As contas bancárias não entram em campo. É neste processo de crescimento e mentalização que se encontra o leão.

O Sporting falhou o teste na Luz, mas não é motivo para dramas. É tempo de perceber onde se errou e como se pode melhorar, sem crucificar quem teve a ousadia de querer ganhar na Luz em vez de jogar para o empate. Por outro lado, será bom perceber até que ponto a agressiva política de comunicação da direção de Bruno de Carvalho, com demasiada exposição mediática, não tem contribuído para colocar pressão extra em cima da própria equipa. Percebe-se a intenção de marcar posição para o exterior, mas há sempre um reverso da medalha.

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O CRAQUE

A solução sérvia

Fejsa parece ser a escolha de Jorge Jesus para render Matic no meio-campo do Benfica. Trata-se de um jogador diferente do compatriota, mas que é igualmente exímio na recuperação de bola e no posicionamento à frente da defesa, sendo um tampão às iniciativas dos adversários. No processo ofensivo. Sendo um médio mais fixo e com limitações técnicas, podendo evoluir neste aspeto, Fejsa tem dado maior liberdade atacante a Enzo Pérez. Isso foi visível no jogo com o Sporting. O Benfica ganhou uma dinâmica diferente no meio-campo, mas que tem sido tão eficiente quanto a anterior.

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A JOGADA

Sem favorito, para já...

A vitória do Benfica no dérbi veio despertar algumas vozes que já dão como certa a conquista do título por parte dos encarnados. Parece ser muito cedo para tal vaticínio e os últimos anos devem servir de lição na hora de fazer prognósticos. É certo que a equipa de Jorge Jesus está agora em posição privilegiada, mas está longe de mostrar um futebol consistente que dê garantias de vitória nos jogos que faltam. O mesmo se pode dizer de FC Porto e Sporting. Perante tamanha incerteza, a procissão ainda vai mesmo no adro...

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A DÚVIDA

As entrevistas da moda

Reconhecido como um dos principais agentes FIFA do planeta, Jorge Mendes raramente dá entrevistas. Não é por isso que deixa de conseguir os melhores contratos e clubes para os jogadores que representa. É uma exceção à regra, porque parece estar a virar moda os empresários de jogadores virem para a praça pública exigir transferências, renovações de contrato e mais tempo de jogo para os seus atletas. Até quando é que os clubes vão pactuar com isto? E estes agentes estarão mesmo a defender os interesses dos jogadores que representam, ou esta é apenas uma forma de se autopromoverem?

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