Muita gente questiona-se frequentemente sobre o que é, afinal, a mística num clube de futebol. E não é, realmente, algo que seja fácil de explicar. É algo que se sente, que se presencia com frequência, mas que não é fácil de colocar em palavras, principalmente quando falamos de clubes com a dimensão do FC Porto. Esta semana, contudo, vimos excelentes exemplos daquilo que é a mística dos dragões, nomeadamente na forma como os adeptos manifestaram o seu descontentamento perante uma temporada que muito prometeu e que acabou sem qualquer troféu no museu do clube.
O silêncio com que as claques brindaram a equipa na última jornada e a escassa presença de adeptos nas bancadas juntaram-se aos protestos que já se tinham feito sentir durante a semana, nomeadamente no acesso ao Olival. Porque os adeptos sabem o que é a mística e sabem, também, que essa só se constrói com projetos de continuidade, com jogadores portugueses, com atletas formados no clube, com profissionais identificados com a cultura do Dragão!
No meu tempo, em anos menos conseguidos (felizmente foram poucos), também tive que enfrentar as críticas dos adeptos, que chegaram mesmo a entrar nos treinos. Juntamente com os meus colegas, demos a cara, encaixámos a mensagem e respondemos dentro do campo, com resultados que dignificaram o clube. Esse é o único caminho a seguir. Ignorar ou desvalorizar os sinais que chegam das bancadas pode revelar-se uma estratégia errada. E perigosíssima para o rumo do clube...
PS - Saúdo o regresso de Sérgio Oliveira ao plantel do FC Porto, jogador de enorme qualidade, formado e profundamente identificado com o clube. É um bom sinal, mas não pode ser um caso isolado, tem que ser mais regra do que exceção. Não há outro caminho a seguir...