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O dérbi de sábado pode ser resumido da seguinte forma: de um lado, uma equipa a jogar abaixo das suas possibilidades (o Benfica); de outro, uma equipa a jogar acima das suas possibilidades (o Sporting). No fim, o resultado refletiu a diferença de qualidade dos meios-campos. Mesmo em recomposição e, agora, com falhas inconcebíveis nas bolas paradas defensivas, o potencial do Benfica é superior e isso notou-se no jogo.
Entre Martins, William e Adrien e Matic, Rúben e Enzo há uma diferença de qualidade, maturidade e intensidade de jogo que, salvo percalços, faz do Benfica uma equipa mais forte do que o Sporting. Nada disto impede o Sporting de vencer um dérbi. Pelo contrário: o fascínio do futebol está precisamente no facto de permitir vitórias a equipas, à partida, mais frágeis. O que podia bem ter acontecido no sábado. Contudo, em condições normais, o Benfica vence o Sporting – o que aliás se reflete no número impressivo de 9 vitórias nos últimos 12 dérbis.
Para o Benfica, ainda assim, talvez o dado mais relevante do jogo nem sequer tenha sido a vitória com sofrimento desnecessário, mas, sim, os sinais de que alguma coisa está a mudar na forma de jogar da equipa. Com um triângulo no meio-campo, a equipa fica mais equilibrada, o que a torna defensivamente mais competente. Há uns dias, e cito de cor, Jorge Jesus, quando confrontado com o novo modelo de jogo, afirmava que se tratava “do mesmo sistema com outras ideias”. Mais uma vez não se percebe bem o que o treinador do Benfica quer dizer: estamos mesmo perante um outro sistema.
Um outro sistema de que, aliás, o Benfica precisa há quatro anos. Com Jesus, o futebol de ataque entusiasmante nunca encontrou um modelo alternativo, que tornasse possível ao Benfica baixar a intensidade do jogo, com transições mais lentas, controlando vantagens no marcador – principalmente contra adversários fortes. No fundo, pode ser que o fracasso das épocas passadas tenha obrigado Jesus a mudar, mesmo que insista em negar as evidências.